Rio Branco sedia festival que une arte e reflexão crítica sobre herança afro-brasileira
Evento no Ifac questiona o mito da abolição e promove oficinas de capoeira e debates sobre racismo estrutural.

O evento promovido pelo Ifac em Rio Branco utiliza a capoeira e os folguedos para questionar o impacto histórico da Lei Áurea e promover a educação das relações étnico-raciais.
A capital acreana recebe nesta semana a quinta edição do Festival AfroPedagógico, um evento que fomenta discussões profundas sobre a história afro-brasileira e o combate ao racismo. Sediado no campus do Instituto Federal do Acre (Ifac) em Rio Branco, o encontro utiliza a temática "Rodas de Liberdade" para analisar criticamente o legado da Lei Áurea. As atividades, que começaram na última quinta-feira (14), seguem com portões abertos até este sábado (16), oferecendo uma rica grade de painéis teóricos e práticas culturais.
O foco central da edição deste ano é a desconstrução da ideia de liberdade plena alcançada em 13 de maio de 1888. Os debatedores propõem uma reflexão sobre o "dia seguinte", o 14 de maio, evidenciando o abandono e a falta de políticas de reparação para a população negra após a abolição formal. Através de palestras e mesas-redondas, o festival aborda temas como o racismo estrutural, a pedagogia crítica e o reconhecimento internacional da escravidão como um crime contra a humanidade, trazendo à tona perspectivas históricas e educacionais essenciais para a formação docente.
Além do embasamento acadêmico, o festival promove a valorização da ancestralidade por meio da arte. O público pode participar gratuitamente de oficinas de maculelê, dança afro e distintas vertentes da capoeira, como a angola e a contemporânea. Essas ações fazem parte de um programa de extensão mais amplo do Ifac, que visa não apenas a prática esportiva, mas também a criação de cursos de formação para instrutores e o registro da produção musical ligada aos ritos da capoeira, fortalecendo a preservação cultural na região norte.




