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Recorde perigoso: Venda de anabolizantes no Brasil sobe 700% e levanta debate ético e médico

Comércio ilegal e automedicação disparam, enquanto autoridades tentam conter venda clandestina após morte de jovem fisiculturista.

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Redação 360 Notícia
31 de maio de 2026 às 00:003 min
Recorde perigoso: Venda de anabolizantes no Brasil sobe 700% e levanta debate ético e médico
Foto: Reprodução
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O mercado de anabolizantes no Brasil saltou 700% em sete anos, atingindo recordes de vendas em meio a discussões sobre os riscos à saúde. A morte precoce de um jovem influenciador acende o alerta sobre o consumo desenfreado e a facilidade de compra fora do controle médico.

O cenário da saúde pública no Brasil enfrenta um desafio crescente e alarmante nas últimas semanas. O mercado de substâncias esteroides e anabolizantes registrou uma alta impressionante de 700% em um período de apenas sete anos, um dado que veio à tona com o choque gerado pela morte precoce do influenciador e fisiculturista Gabriel Ganley, de apenas 22 anos. O jovem, que falava abertamente sobre o consumo desses produtos para fins estéticos e de performance, foi vítima de uma condição cardíaca grave, levantando novamente o debate nacional sobre a facilidade de acesso a hormônios e as falhas nos mecanismos de fiscalização em um ambiente saturado por padrões de beleza inalcançáveis.

Historicamente, a utilização de testosterona e seus derivados na medicina brasileira é restrita a tratamentos específicos, como a reposição hormonal em pacientes com deficiências clínicas comprovadas ou no combate à perda extrema de massa muscular decorrente de doenças crônicas. No entanto, o que se observa é uma distorção dessa finalidade. Desde 2023, o Conselho Federal de Medicina (CFM) endureceu as regras, proibindo explicitamente que médicos prescrevam hormônios com o objetivo exclusivo de melhorar a performance física ou a estética. Apesar do rigor ético, o mercado paralelo e a automedicação por sugestão de "colegas de treino" criaram um fluxo bilionário que ignora as barreiras legais, sustentado pela promessa de resultados rápidos no espelho.

Os números apresentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e por órgãos de classe são contundentes: entre 2018 e o último ano, o salto no comércio legal dessas substâncias chegou a patamares recordes, crescendo 20% somente no último ciclo anual. O paradoxo é que, embora a lei tenha se tornado mais restritiva, a demanda social só aumentou. Relatos de quem vive o dia a dia desse meio, como ex-atletas e treinadores, confirmam uma cultura de perigo normalizada. Muitos consumidores iniciam o uso para fins puramente visuais, mas acabam enfrentando quadros de infarto agudo do miocárdio, problemas hepáticos e distúrbios psicológicos severos. O caso de Ganley é o exemplo mais extremado de uma estatística que não para de subir.

A facilidade com que esses produtos são encontrados no ambiente digital é um dos pontos mais críticos. Em redes sociais e aplicativos de mensagens, a venda ocorre sem qualquer necessidade de receita médica, com promessas de entrega imediata em todo o território nacional. A Anvisa admite a dificuldade em conter o avanço dessas páginas; embora muitas sejam retiradas do ar periodicamente, novos endereços surgem em questão de horas, mantendo o comércio clandestino operante. A Polícia Civil de São Paulo, por sua vez, intensificou as apreensões, removendo de circulação milhares de itens irregulares apenas nos primeiros meses deste ano, mas a lucratividade do setor parece superar o receio das sanções legais.

Especialistas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia alertam que o Brasil carece de uma rede de fiscalização mais robusta e punições mais severas para quem lucra com a saúde alheia. Enquanto os ganhos financeiros desse mercado clandestino forem superiores às multas aplicadas, a ciclo de dependência e risco continuará a ceifar vidas precocemente. Para o leitor, fica o alerta: o uso de hormônios sem supervisão técnica não é apenas uma infração ética, mas um risco iminente de morte. A discussão agora deve migrar da conscientização individual para uma ação coordenada entre o Ministério da Saúde, a justiça e as plataformas digitais para conter uma epidemia silenciosa de abuso de esteroides no país.

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