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Recife registra dois ataques de tubarão em menos de 24 horas: o que se sabe até agora

Em menos de 48 horas, duas pessoas sofreram amputações graves em praias de Pernambuco; autoridades convocam reunião de emergência para conter novos incidentes.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 03:003 min
Recife registra dois ataques de tubarão em menos de 24 horas: o que se sabe até agora
Foto: Reprodução
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Dois ataques graves de tubarão em menos de dois dias deixam o litoral de Pernambuco em alerta máximo. Uma jovem de 19 anos e um menino de 11 anos sofreram amputações traumáticas após incidentes nas praias de Boa Viagem e Piedade. Autoridades reforçam monitoramento e sinalização nas áreas de risco.

A Região Metropolitana do Recife vive um cenário de alerta e apreensão após a confirmação de dois ataques graves de tubarão em um intervalo de pouco mais de 24 horas. O episódio mais recente ocorreu na tarde desta segunda-feira (1º), na Praia de Boa Viagem, uma das mais movimentadas da capital pernambucana. A vítima, identificada como Marcela Vitória, de 19 anos, sofreu ferimentos severos na perna direita e foi resgatada em estado crítico. O incidente acontece poucas horas após o registro de outro ataque similar a apenas oito quilômetros de distância, evidenciando um aumento na periculosidade em trechos específicos do litoral pernambucano durante este período do ano.

O socorro à jovem Marcela foi marcado por momentos de tensão e contou com a intervenção imediata de banhistas, entre eles um médico que passava pelo local. Segundo relatos de testemunhas e do profissional de saúde, a vítima foi retirada da água já com uma amputação traumática. O médico Mike Andrade, que realizou os primeiros procedimentos ainda na areia, descreveu o uso de técnicas de emergência para conter a hemorragia na artéria femoral, utilizando recursos improvisados como o cordão de uma bermuda para realizar um torniquete. O rápido atendimento foi crucial para garantir que a jovem chegasse com vida ao Hospital da Restauração, unidade de referência no estado para casos de trauma de alta complexidade.

De acordo com o boletim médico divulgado pelo diretor do Hospital da Restauração, Petrus de Andrade Lima, a paciente passou por um procedimento cirúrgico de emergência para regularização do coto e controle total dos sangramentos. Marcela permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado grave. Paralelamente, a unidade também monitora o estado de saúde de uma criança de 11 anos, vítima do primeiro ataque registrado no último domingo (31), na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. No caso do menino, os ferimentos também resultaram na amputação de um membro, desta vez a perna esquerda, consolidando um fim de semana trágico para os banhistas da região.

Historicamente, o litoral de Pernambuco é monitorado devido à presença constante de tubarões, como o Tubarão-Tigre e o Tubarão-Cabeça-Chata, conhecidos pela agressividade em águas rasas. Desde 1992, quando o monitoramento oficial teve início, o estado já contabilizou 84 incidentes dessa natureza. Especialistas do Comitê Estadual de Combate a Incidentes com Tubarão (Cemit) ressaltam que diversos fatores ambientais podem ter contribuído para os ataques consecutivos. A combinação de maré alta, águas turvas devido às chuvas e as correntes marítimas aumentam o risco de encontros acidentais entre humanos e animais que se aproximam da costa em busca de alimento.

Diante da gravidade da situação, o Governo de Pernambuco anunciou a realização de reuniões extraordinárias para revisar os protocolos de segurança e intensificar as ações preventivas nas áreas consideradas de risco. Embora existam placas de sinalização alertando sobre a presença de tubarões em Boa Viagem e Piedade, não há, no momento, uma proibição formal para o banho de mar, o que tem gerado debates sobre a necessidade de medidas mais restritivas. A secretária-executiva do Cemit, Denise Alves, afirmou que o foco imediato é entender os padrões que levaram a essa sequência de ataques e reforçar a educação ambiental e a vigilância nas praias para evitar novas vítimas.

Para o leitor brasileiro, especialmente os turistas que frequentam o Nordeste, o cenário exige cautela redobrada. O fenômeno não é isolado e está intrinsecamente ligado à topografia marinha do Recife, que possui uma "vala" profunda próxima à areia, facilitando a circulação de grandes peixes. Nos próximos dias, espera-se que a fiscalização por parte do Corpo de Bombeiros seja reforçada, com orientações diretas aos banhistas para que evitem áreas onde o monitoramento indica maior atividade animal. O histórico de incidentes em Pernambuco permanece como um dos mais altos do Brasil, reforçando a importância de respeitar rigorosamente os avisos das autoridades locais.

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