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Projeto no Acre distribui absorventes reutilizáveis e combate a pobreza menstrual nas escolas

Iniciativa 'Fluxo Amazônico' leva conscientização e kits sustentáveis para escolas públicas de Rio Branco, combatendo a evasão escolar e quebrando tabus.

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Redação 360 Notícia
5 de junho de 2026 às 00:003 min
Projeto no Acre distribui absorventes reutilizáveis e combate a pobreza menstrual nas escolas
Foto: Reprodução
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Iniciativa Fluxo Amazônico combate a pobreza menstrual em escolas de Rio Branco com educação e distribuição de absorventes sustentáveis que duram até três anos, promovendo dignidade e preservando o meio ambiente.

Uma iniciativa inovadora está transformando a realidade de jovens estudantes em Rio Branco, no Acre, ao aliar saúde pública, sustentabilidade e educação. O projeto "Fluxo Amazônico" tem percorrido instituições de ensino da rede pública estadual para enfrentar um problema silencioso, mas persistente: a pobreza menstrual. Através de oficinas educativas e a entrega de kits de higiene, a ação busca garantir que a menstruação não seja um impedimento para a frequência escolar e o desenvolvimento pleno das adolescentes. O diferencial desta proposta reside na distribuição de absorventes ecológicos reutilizáveis, uma solução que visa autonomia e economia para as famílias de baixa renda.

A pobreza menstrual é definida como a falta de acesso a recursos básicos de higiene e conhecimento sobre o ciclo menstrual. Segundo dados globais de organizações de saúde, este fenômeno afeta diretamente a educação, levando muitas garotas a faltarem às aulas durante o período menstrual por falta de meios para gerir o sangramento de forma segura e digna. No Acre, o projeto liderado por Ywlly Cavalcante surgiu para preencher lacunas deixadas pela falta de políticas públicas abrangentes no passado. Recentemente, as atividades foram concentradas na Escola Padre Carlos Casavecchia, onde a metodologia foi aprimorada após anos de experimentação em comunidades marginalizadas.

Diferente dos modelos tradicionais de distribuição de itens descartáveis, o Fluxo Amazônico aposta na tecnologia têxtil sustentável. Os absorventes entregues são confeccionados com tecidos hipoalergênicos e camadas impermeáveis que evitam vazamentos, odores e irritações cutâneas. A grande vantagem é a durabilidade: cada item pode ser lavado e reutilizado por até três anos. Essa característica é fundamental para estudantes que vivem em situação de vulnerabilidade econômica, pois elimina o custo mensal com produtos descartáveis e reduz a geração de resíduos sólidos, preservando o meio ambiente local, especialmente relevante no contexto da floresta amazônica.

As ações do projeto não se limitam apenas às meninas. Um dos pontos centrais da metodologia é o envolvimento de estudantes do sexo masculino em rodas de conversa. A proposta é desmistificar tabus e promover a empatia, fazendo com que os meninos compreendam as mudanças corporais e a importância do apoio emocional e estrutural às suas colegas, irmãs e mães. No ambiente escolar, essa mudança cultural já reflete no comportamento dos alunos: se antes o assunto era tratado com constrangimento ou piadas, hoje os jovens veem o ciclo menstrual como um processo biológico natural que merece respeito e suporte coletivo da comunidade escolar.

Além do impacto imediato na saúde individual, a iniciativa tem gerado desdobramentos importantes na retenção escolar na capital acreana. A coordenação da Escola Padre Carlos Casavecchia relata que a implementação de pontos de apoio, onde absorventes ficam disponíveis em locais estratégicos como bibliotecas e secretarias, reduziu a evasão e a ansiedade das estudantes. O projeto dialogue diretamente com o Programa Dignidade Menstrual do Governo Federal, que já distribuiu centenas de milhares de absorventes no estado através da rede de farmácias populares. Contudo, iniciativas como o Fluxo Amazônico seguem essenciais para levar educação e alternativas sustentáveis a quem mora em regiões onde o acesso burocrático ao sistema digital pode ser uma barreira extra.

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