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Professor da USP é condenado por crime de transfobia contra ex-alunas de medicina

Jyrson Guilherme Klamt recebeu pena de três anos e dez meses de prisão em regime aberto por ofensas contra ex-alunas travestis; defesa vai recorrer.

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Redação 360 Notícia
16 de maio de 2026 às 08:002 min
Professor da USP é condenado por crime de transfobia contra ex-alunas de medicina
Foto: Reprodução
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Justiça condena docente da USP de Ribeirão Preto a quase quatro anos de prisão em regime aberto por ofensas a ex-alunas. Vítimas receberão indenização por danos morais.

A Justiça de São Paulo condenou o professor Jyrson Guilherme Klamt, da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, a uma pena de três anos e dez meses de detenção em regime aberto pelo crime de transfobia. A decisão de primeira instância refere-se a um episódio ocorrido no final de 2023, quando o docente proferiu ofensas e ameaças contra Louise Rodrigues e Stella Branco, as primeiras médicas travestis formadas pela instituição. A defesa do condenado já manifestou que pretende recorrer da sentença.

O incidente aconteceu no refeitório da universidade, motivado por uma divergência sobre a política de uso de banheiros conforme a identidade de gênero. Segundo o relato das vítimas, o professor as abordou de forma agressiva, utilizando pronomes incorretos e afirmando que elas correriam risco de vida caso utilizassem o mesmo sanitário que sua filha. Além da pena de reclusão convertida para o regime aberto, o magistrado determinou o pagamento de indenizações por danos morais no valor de R$ 10 mil para cada ex-aluna e a destinação de um salário mínimo mensal, durante um ano, a uma entidade de apoio à comunidade LGBT+.

Para Louise e Stella, a condenação traz um misto de alívio e superação de um período traumático. Elas destacam que o posicionamento do Judiciário é pedagógico e essencial para dar visibilidade à dignidade de pessoas trans. O advogado das médicas classificou o desfecho como um marco histórico no combate à discriminação no ambiente acadêmico. Na esfera administrativa, o professor já havia passado por suspensões tanto na faculdade quanto no Hospital das Clínicas antes do encerramento oficial dos processos internos da USP.

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