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Alta tecnologia contra o câncer: os desafios da terapia CAR-T no Brasil

Com custos de até R$ 4 milhões, o tratamento que 'reprograma' o sistema imune esbarra em gargalos logísticos e na burocracia do sistema de saúde.

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Redação 360 Notícia
16 de maio de 2026 às 09:002 min
Alta tecnologia contra o câncer: os desafios da terapia CAR-T no Brasil
Foto: Reprodução
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Embora promissora, a terapia CAR-T para o câncer enfrenta obstáculos de alto custo e logística complexa no Brasil, resultando em mortes na fila de espera.

O Brasil consolida-se como o único país da América Latina a possuir estrutura para a terapia CAR-T, um tratamento inovador que utiliza a genética do próprio paciente para combater cânceres como leucemia e linfoma. O procedimento consiste em coletar células de defesa, modificá-las em laboratório para que se tornem mais agressivas contra o tumor e reinseri-las no organismo. Com taxas de recuperação que chegam a 80%, a técnica é vista como um marco na oncologia moderna, oferecendo chances de sobrevivência a quem já não tinha alternativas terapêuticas.

Entretanto, um estudo detalhado na publicação científica Frontiers in Hematology revela que barreiras financeiras e logísticas impedem que a solução chegue a todos. Com doses que podem atingir o valor de R$ 4 milhões, o tratamento enfrenta entraves que vão desde a falta de verba no SUS e o impacto nas operadoras de saúde privadas até a necessidade de infraestrutura ultraespecializada. A judicialização tornou-se a única via para muitos pacientes, embora essa solução atenda apenas casos individuais sem resolver as lacunas do sistema de saúde pública.

Outro complicador crítico é a dimensão geográfica do Brasil e a dependência de tecnologia estrangeira. Atualmente, o material biológico coletado muitas vezes precisa ser enviado para laboratórios nos Estados Unidos ou Europa para ser processado, o que gera riscos de perda de amostras por falhas em conexões aéreas ou transporte precário. Para contornar esses gargalos, instituições como a Fiocruz e a USP trabalham no desenvolvimento de uma versão nacional da terapia, visando reduzir a dependência externa e baratear significativamente os custos de aplicação.

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