Porções da Vida
Se a vida é breve, que seja intensa. Que seja feita de porções - não de excessos. Que seja vivida com empatia, com amor, com coragem de sentir. Porque no fim, é

Se a vida é breve, que seja intensa. Que seja feita de porções - não de excessos. Que seja vivida com empatia, com amor, com coragem de sentir. Porque no fim, é isso que nos salva.
Acordamos todos os dias com pressa. A tabela nos espera: compromissos, metas, horários. Vivemos como se estivéssemos em uma corrida contra o tempo, colecionando tarefas como troféus, mas esquecendo que o maior prêmio é sentir.
Sentir o sol na pele, o cheiro do café, o riso espontâneo. Sentir que somos mais do que números, mais do que cargos, mais do que o que conseguimos comprar. Somos feitos de histórias, de afetos, de silêncios que dizem muito.
Mas a vida, essa senhora apressada, nos empurra para o automático. E quando percebemos, estamos amordaçados por obrigações, acorrentados por expectativas. Olhamos para trás e vemos os sonhos que deixamos cair pelo caminho, como folhas secas que o vento levou.
E então vem o medo. O medo do desconhecido, da brevidade, da insegurança. O medo de não ter vivido o suficiente, de não ter amado o bastante, de não ter sido quem queríamos ser.
Mas há uma saída. Sempre há. Ela mora nas pequenas conquistas silenciosas: no abraço que aquece, na mensagem inesperada, no pôr do sol que nos faz parar. Mora na lembrança de que fomos amados, e que ainda podemos amar.
Se a vida é breve, que seja intensa. Que seja feita de porções — não de excessos. Que seja vivida com empatia, com amor, com coragem de sentir. Porque no fim, é isso que nos salva.
Antonio Marcos de Souza






