PGR apresenta denúncia contra Romeu Zema por ofensas ao ministro Gilmar Mendes
Procuradoria-Geral vê crime de calúnia em vídeos que associam ministro do STF à corrupção passiva; político nega recuo.

A PGR denunciou o governador Romeu Zema ao STJ por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. O caso envolve vídeos com fantoches que sugerem corrupção passiva no STF; Zema nega recuo e defende uso de sátira.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o comando do procurador Paulo Gonet, protocolou oficialmente junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma denúncia criminal contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema. A acusação foca no crime de calúnia e tem como alvo declarações e publicações audiovisuais desferidas pelo político contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso marca mais um capítulo de tensão entre chefes de executivos estaduais e integrantes da cúpula do Poder Judiciário em Brasília.
O imbróglio jurídico teve início após Gilmar Mendes solicitar a abertura de uma investigação sobre conteúdos divulgados nas redes sociais de Zema. Nas peças em questão, ministros do STF eram representados por meio de fantoches e bonecos, em um cenário que, segundo a PGR, ultrapassou os limites da liberdade de expressão e da sátira política. De acordo com o parecer de Paulo Gonet, o material não se restringiu à crítica administrativa ou política, mas imputou falsamente ao magistrado a prática de crimes graves. Especificamente, a denúncia aponta que Zema associou o comportamento de Mendes à corrupção passiva, sugerindo que decisões judiciais seriam tomadas mediante interesses escusos.
A fundamentação da PGR destaca que as publicações não podem ser lidas apenas como humor, dado o peso institucional da figura do governador. Gonet sustenta que houve uma acusação direta de conduta delituosa sem qualquer base factual, ferindo a honra do ministro no exercício de suas funções. A tramitação do processo foi encaminhada ao STJ devido ao foro por prerrogativa de função, uma vez que as publicações foram realizadas enquanto Zema ocupa o cargo de governador e utilizou canais de comunicação que misturam perfis pessoais com a projeção institucional de sua gestão à frente do governo mineiro.
Em sua defesa, Romeu Zema adotou uma postura de enfrentamento e reafirmou o teor de suas críticas. Por meio de nota oficial, o governador informou que não pretende recuar das posições expressas nos vídeos. O político alega que o uso de ironia e sátira é uma ferramenta legítima de crítica social e política, especialmente contra o que ele classifica como uma falta de abertura do Judiciário ao escrutínio da população. Para Zema, as reações judiciais às suas postagens representariam uma tentativa de cercear o debate público e a liberdade de opinião sobre a atuação dos tribunais superiores.
A partir de agora, o caso entra em uma fase decisiva na Corte Especial do STJ, colegiado responsável por analisar denúncias contra governadores. Os ministros deverão avaliar se os elementos apresentados pela PGR são suficientes para tornar o governador réu em uma ação penal. Se a denúncia for recebida, Zema passará a responder formalmente por calúnia, o que pode resultar em sanções previstas no Código Penal. O desdobramento é observado com atenção por juristas e políticos, pois deve balizar os limites do humor político e da imunidade de fala de governantes em relação a membros de outros Poderes.

