Pai de adolescente morto por engano em chacina no Paraná desabafa: 'Era meu parceiro'
Inocentes foram mortos após atirador errar o endereço de bar que seria alvo de disputa entre traficantes de drogas no Norte do estado.

A Polícia Civil do Paraná elucidou a chacina em Sarandi que vitimou três membros de uma mesma família, incluindo um adolescente de 15 anos. Os criminosos erraram o bar alvo de uma disputa de tráfico de drogas e executaram inocentes que não tinham antecedentes criminais.
Uma tragédia motivada por um erro geográfico brutal chocou a cidade de Sarandi, no Norte do Paraná, e deixou uma família devastada. Matheus Souza do Amaral, de apenas 15 anos, foi uma das três vítimas fatais de uma chacina ocorrida em um bar no dia 22 de maio. Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, o adolescente, seu primo Rafael Moreira do Amaral, de 37 anos, e a esposa de Rafael, Jéssica de Jesus Hass, de 32 anos, foram assassinados por engano. O atirador, que buscava alvos ligados ao tráfico de drogas em uma disputa por território, teria errado o endereço de destino e efetuado os disparos contra pessoas completamente inocentes e sem passagens pela polícia.
O cenário do crime era um estabelecimento comercial recém-adquirido pela família. Elias Amaral, pai de Matheus e proprietário do bar, revelou que havia comprado o ponto apenas três dias antes do ataque, com a intenção de transformar o local em um empreendimento familiar para garantir o sustento e o futuro dos seus. Na noite do crime, os parentes estavam reunidos no local quando foram surpreendidos pelo assassino. Matheus, descrito pelo pai como um "parceiro" inseparável em pescarias e jogos, chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Hospital Universitário de Maringá, mas infelizmente não resistiu aos graves ferimentos. Os dois adultos morreram ainda no local da ocorrência.
O desenrolar das investigações trouxe à tona detalhes sórdidos sobre a logística do crime. A Polícia Civil concluiu que o ataque foi encomendado por um mandante que pretendia eliminar concorrentes no tráfico de entorpecentes da região. O executor, identificado como Jhonatan Sales dos Santos, de 32 anos, teria se confundido ao virar uma esquina. O alvo original seria um bar vizinho, onde supostamente estariam os rivais do grupo criminoso. Ao entrar no sentido contrário, o atirador visualizou a família Amaral no estabelecimento recém-aberto e abriu fogo indiscriminadamente. Um cliente que estava no local no momento dos disparos conseguiu correr e foi o único sobrevivente do ataque direto.
A resposta das forças de segurança resultou na prisão dos principais envolvidos. Jhonatan Sales dos Santos foi localizado e detido em Balneário Camboriú, Santa Catarina, em uma operação conjunta entre as polícias civis e militares dos dois estados. Além dele, a polícia já havia prendido preventivamente Paulo Rogério Aparecido Surany, suspeito de atuar como o motorista que levou o atirador ao local, e Gabriel Vitor Surany, apontado como o mandante da chacina. O motorista teria abandonado o executor no local ao perceber a aproximação de uma viatura da Polícia Militar que patrulhava o bairro Jardim Verão no momento dos disparos. Dispositivos como um colete balístico, uma pistola e carregadores foram descartados pelo criminoso durante a fuga a pé e apreendidos pelos agentes.
Para a família, a dor da perda é acompanhada pelo trauma de um projeto de vida interrompido pela violência urbana. Elias Amaral afirmou que não pretende mais seguir com o comércio e que sequer consegue passar em frente ao imóvel onde o filho e os sobrinhos foram mortos. A Secretaria de Segurança Pública do Paraná reforçou que as vítimas não possuíam qualquer envolvimento com atividades ilícitas, o que reforça a tese de execução por erro de alvo. O caso agora segue para o Poder Judiciário, onde os acusados devem responder por triplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio. A comunidade de Sarandi permanece em alerta diante da escalada de violência relacionada ao domínio territorial de facções, um problema crônico que afeta diversas cidades de médio porte no interior do país.



