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Operação em Araricá desenterra caminhão público desaparecido há uma década no RS

Veículo foi localizado próximo a uma escola e secretarias municipais após levantamento de patrimônio e denúncias de moradores.

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Redação 360 Notícia
1 de junho de 2026 às 06:003 min
Operação em Araricá desenterra caminhão público desaparecido há uma década no RS
Foto: Reprodução
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Prefeitura de Araricá utiliza frota de escavadeiras para localizar caminhão-caçamba enterrado em terreno público próximo a escola e arroio. O veículo estava desaparecido há cerca de dez anos e caso agora é investigado como crime ambiental e patrimonial pela Polícia Civil do RS.

Uma operação de escavação realizada pela Prefeitura de Araricá, no Rio Grande do Sul, trouxe à tona o desfecho de um mistério que perdurava por cerca de uma década no município. Utilizando uma força-tarefa composta por uma retroescavadeira, uma escavadeira hidráulica e uma mini escavadeira, a administração municipal conseguiu localizar e desenterrar um caminhão-caçamba de patrimônio público que estava desaparecido há muitos anos. O veículo foi encontrado enterrado em um terreno pertencente à própria prefeitura, próximo às margens do Arroio Ferrabrás, em uma área conhecida como Largo das Azaleias, despertando espanto na comunidade local e nas autoridades públicas pela audácia do ato.

A descoberta só foi possível graças a uma rigorosa auditoria de patrimônio iniciada pela prefeitura no começo de 2025. Durante o levantamento dos bens móveis do município, a ausência prolongada do caminhão chamou a atenção dos gestores. O prefeito Oseias Cardoso relatou que, embora o desaparecimento fosse um tema recorrente em conversas informais e boatos na cidade, não havia provas concretas do paradeiro do veículo até então. Ao dar crédito aos relatos de servidores antigos e moradores que indicavam o soterramento intencional na beira do arroio, a gestão decidiu investir na escavação para confrontar as teorias, revelando uma situação muito mais grave do que o simples extravio de maquinário.

As características do local onde o caminhão foi escondido elevam a complexidade do caso. O terreno, situado ao lado de uma escola municipal de educação infantil e de prédios que abrigam secretarias de governo e o Corpo de Bombeiros Voluntários, serviu como depósito improvisado para o que a justiça deve investigar como crime de ocultação de patrimônio e crime ambiental. O esforço logístico para a retirada das ferragens foi intenso, ocorrendo na penúltima semana de maio. Devido ao tempo de soterramento e ao estado de decomposição do metal, o veículo teve de ser serrado em partes para ser removido, sendo a caçamba separada do chassi. A preservação do chassi é considerada fundamental, pois é através desta peça que a perícia poderá confirmar dados técnicos e a identificação oficial do bem público perante o Estado.

Historicamente, o rastro do caminhão é confuso e revela lacunas na fiscalização de gestões passadas. O último registro oficial de circulação datava de 2014, quando o veículo foi multado na capital, Porto Alegre. Contudo, investigações preliminares sugerem que o caminhão ainda operava anos depois. Imagens de satélite obtidas através de ferramentas de mapeamento digital teriam flagrado o veículo em serviços de terraplanagem dentro do município em meados de 2017. Diante desses dados, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o soterramento tenha ocorrido entre o final de 2017 e o ano de 2018, em uma tentativa deliberada de "dar fim" ao objeto, cujas razões ainda precisam ser esclarecidas no inquérito policial recém-aberto.

Para o leitor brasileiro, o caso de Araricá serve como um exemplo emblemático das dificuldades de controle de ativos na administração pública municipal e dos riscos de impunidade em cidades menores. O próximo passo da investigação envolve a perícia técnica no local do descarte para avaliar os danos ao solo e ao Arroio Ferrabrás, uma vez que óleos lubrificantes e fluidos hidráulicos podem ter contaminado o ecossistema local ao longo da última década. Além disso, a Polícia Civil deve convocar antigos gestores e servidores que atuavam na Secretaria de Obras à época do desaparecimento para prestar depoimentos. A meta é identificar não apenas quem executou o trabalho de enterro, mas principalmente quem deu a ordem administrativa para que um patrimônio de alto valor fosse tratado como lixo.

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