Operação contra tráfico na Lapa tem fuga por telhados e descoberta de bunker fortificado
Agentes da Polícia Civil desmontaram estrutura de aço em casarão invadido; um adolescente foi apreendido e um dos presos possui histórico de homicídio e extorsão.

Operação Colmeia da Polícia Civil desmonta bunker fortificado com porta de aço na Lapa e prende traficante com 23 anotações criminais. Suspeitos tentaram fugir pulando telhados, mas foram cercados pelos agentes no Centro do Rio de Janeiro.
Uma intensa mobilização da Polícia Civil, sob a coordenação da Delegacia de Capturas (DC-Polinter), resultou na desarticulação de um estratégico ponto de venda de drogas no coração boêmio do Rio de Janeiro, na Travessa Mosqueira, localizada na Lapa. A operação, realizada nesta segunda-feira (1), revelou o uso de "bunkers" por parte de organizações criminosas, que investem em estruturas de fortificação para impedir a aproximação das autoridades. Durante a incursão, os agentes precisaram romper uma barreira física composta por uma robusta porta de aço instalada na entrada de um casarão invadido, tática cada vez mais comum entre traficantes para ganhar tempo em eventuais abordagens policiais.
A tensão marcou a abordagem no momento em que os suspeitos, ao perceberem a impossibilidade de conter o avanço das forças de segurança, iniciaram uma tentativa desesperada de fuga pelos telhados das residências vizinhas. A cena, captada e monitorada pelos policiais que cercavam o perímetro, culminou na captura de três indivíduos, sendo dois adultos presos em flagrante e um adolescente de 15 anos apreendido. Entre os detidos de maior relevância para o sistema judiciário está Natan Vieira da Silva, de 32 anos, apelidado de "Suave". O histórico criminal do suspeito é extenso e alarmante, somando 23 anotações por delitos graves, incluindo homicídio, extorsão e roubo, além de quase uma dezena de passagens anteriores por tráfico de entorpecentes.
O segundo detido foi identificado como Marcelo Nunes Araújo Amaro, de 26 anos, que já possuía antecedentes pelo mesmo tipo de crime e, curiosamente, já havia sido preso no mesmo local em uma operação anterior ocorrida ainda em 2025. A reincidência de infratores e a persistência do uso desse imóvel específico demonstram o desafio logístico que a segurança pública enfrenta na Região Central carioca. No interior do casarão, o balanço das apreensões foi significativo: foram localizados 281 tabletes de maconha e skank, 12 porções de haxixe, 512 pinos contendo cocaína e 290 pedras de crack, revelando a diversidade do "portfólio" de drogas comercializado na área. Dinheiro em espécie e aparelhos celulares também foram confiscados.
A região da Travessa Mosqueira e da Rua Joaquim Silva é monitorada de perto pelas autoridades por ser considerada um enclave de uma das maiores facções criminosas do estado, o Comando Vermelho. De acordo com o setor de inteligência da Polícia Civil, a operacionalidade do tráfico naquelas ruas é comandada por figuras de alto escalão na hierarquia do crime. Entre os mandantes citados estão Anderson Venâncio Nobre de Souza, o "Piu" — que já se encontra sob custódia do sistema carcerário —, e Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido pela alcunha de "Abelha". Este último é um dos criminosos mais procurados do Rio de Janeiro e permanece na condição de foragido, sendo alvo constante de investigações que tentam mapear seu paradeiro.
Esta nova ação faz parte de um planejamento estratégico maior batizado de Operação Colmeia. O foco da força-tarefa é sufocar economicamente as gerências e lideranças do tráfico que controlam os pontos de venda no Centro do Rio. Desde o início de 2025, os dados oficiais apontam para um número expressivo de produtividade policial: 102 pessoas ligadas ao tráfico de drogas já foram detidas apenas nesta região. Para o cidadão comum e frequentadores da Lapa, a operação reflete a tentativa do Estado de retomar o controle de áreas históricas que sofrem com a degradação social e a influência de grupos armados, buscando garantir maior segurança em uma região vital para o turismo e a economia local.
O desdobramento agora segue para a esfera investigativa, onde a Polícia Civil pretende utilizar os materiais apreendidos, como os telefones celulares, para rastrear comunicações e identificar outros membros da rede de distribuição. A presença constante de menores de idade, como o jovem de 15 anos detido nesta ação, reforça a preocupação social e jurídica sobre a cooptação da juventude pela criminalidade organizada. Enquanto isso, o policiamento na Lapa deve ser intensificado para evitar que as estruturas derrubadas pelos agentes sejam rapidamente recompostas pelos remanescentes da facção, mantendo o objetivo de desmantelar definitivamente o "bunker" da Travessa Mosqueira.






