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ONG vinculada a filme de Bolsonaro é investigada por notas irregulares de R$ 16,5 milhões em SP

ONG que possui contrato de R$ 108 milhões com o município apresentou recibos cancelados e faturas sem valor fiscal para justificar gastos.

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Redação 360 Notícia
20 de maio de 2026 às 04:002 min
ONG vinculada a filme de Bolsonaro é investigada por notas irregulares de R$ 16,5 milhões em SP
Foto: Reprodução
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Ministério Público e Polícia Civil investigam o Instituto Conhecer Brasil por apresentar R$ 16,5 milhões em notas canceladas e sem valor fiscal à Prefeitura de SP. A ONG, que instala wi-fi nas periferias, pertence à produtora do filme biográfico de Jair Bolsonaro.

Uma investigação aponta graves inconsistências na prestação de contas do Instituto Conhecer Brasil, organização que detém um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para oferecer sinal de internet em regiões periféricas. Documentos apresentados pela entidade à gestão de Ricardo Nunes (MDB) somam cerca de R$ 16,5 milhões em recibos sem validade jurídica, incluindo notas fiscais que foram canceladas no sistema municipal logo após a emissão ou faturas que não possuem valor fiscal para dedução de impostos.

A organização é administrada por Karina Ferreira da Gama, empresária que também comanda a produtora responsável por um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A apuração revela que o instituto utilizou notas de empresas parceiras, como a Complexsys e a JR Feijão Ltda., que constam como anuladas nos registros oficiais. Em um caso específico, uma fatura de R$ 2 milhões foi invalidada no mesmo dia de sua criação, mas ainda assim figurou formalmente na comprovação de gastos enviada à prefeitura paulistana.

Além das notas canceladas, foram identificados pagamentos em que a ONG emitiu faturas para si mesma e contratos com fornecedores sob suspeita. Entre eles, um acordo de R$ 12 milhões com uma empresa cujo proprietário foi detido por acusação de feminicídio. Relatórios técnicos da Secretaria Municipal de Tecnologia já haviam sinalizado glosas de quase R$ 1 milhão por pagamentos duplicados e falta de restituição de valores indevidos, embora a pasta tenha aprovado as contas com ressalvas posteriormente.

Em sua defesa, Karina da Gama afirmou desconhecer o cancelamento das notas por parte dos fornecedores e negou irregularidades estruturais, alegando que eventuais falhas estão sendo corrigidas. A Prefeitura de São Paulo declarou que monitora o contrato com rigor, informando que o instituto devolveu cerca de R$ 930 mil aos cofres públicos após as inconsistências de 2024. A gestão municipal também reiterou que não há qualquer vínculo financeiro entre a parceria do wi-fi e a produção cinematográfica da empresária.

#Prefeitura de SP#Ricardo Nunes#Instituto Conhecer Brasil#investigação#notas fiscais

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