O que te inspira?
Vivemos cercados por feitos que, embora impressionantes, tornam o cotidiano escuro, nebuloso e áspero. Mas afinal, o que nos inspira?

Vivemos cercados por feitos que, embora impressionantes, tornam o cotidiano escuro, nebuloso e áspero. Mas afinal, o que nos inspira?
Quando o mundo enaltece conquistas grandiosas e realizações espetaculares, muitas vezes nos esquecemos daquilo que realmente ilumina a vida. Vivemos cercados por feitos que, embora impressionantes, tornam o cotidiano escuro, nebuloso e áspero. Mas afinal, o que nos inspira?
Talvez seja a humildade de quem poderia se destacar, mas escolhe o silêncio. A grandeza que não precisa de holofotes, que se manifesta no gesto discreto, na presença serena. Inspira-nos a verdade — aquela que fere, que rasga o ego, mas que liberta.Lamentavelmente, a maioria prefere a mentira doce que agrada os ouvidos e alimenta ilusões.
Inspira-nos o olhar honesto de uma criança, que com sua inocência transforma o dia em algodão doce — mais doce que qualquer doçura que a vida já ofereceu. Diferente da amizade amarga, construída sobre conveniências devastadoras, que chega suave e, como um tornado, deixa rastros de destruição.
Inspira-nos a compaixão de quem nada tem, mas tudo oferece. Que reparte, soma, divide com a generosidade de uma brisa matinal que cobre a terra e perfuma a esperança. Inspira-nos a simplicidade — o entendimento de que a vida já carrega seu próprio peso, e que acumular bens e excessos apenas sufoca. O sopro vital não vem do que temos, mas do que somos.
E acima de tudo, inspira-nos a presença invisível de Deus. Não aquela que se impõe, mas a que se revela nas pequenas maravilhas: no desabrochar de uma flor, no voo incansável das borboletas que atravessam continentes com asas frágeis como véus. No espetáculo diário do entardecer, onde o sol pinta o céu com cores que nenhum artista jamais reproduzirá.
Pensar sobre o que nos inspira é como respirar fundo e reiniciar o pensamento. É lembrar que a beleza está nas coisas simples, nas verdades silenciosas, nos gestos que não precisam ser vistos para serem sentidos.
E você, leitor, o que te inspira?
Antonio Marcos de Souza






