Notícias

O mistério do caminhão oculto: veículo da prefeitura é achado enterrado no RS após 10 anos

Veículo oficial que sumiu há uma década foi localizado sob a terra em terreno da prefeitura; Polícia Civil investiga o caso como crime ambiental e patrimonial.

Por
Redação 360 Notícia
5 de junho de 2026 às 05:003 min
O mistério do caminhão oculto: veículo da prefeitura é achado enterrado no RS após 10 anos
Foto: Reprodução
Compartilhar

O que era considerado uma lenda urbana na cidade de Araricá, no Rio Grande do Sul, revelou-se um crime contra o patrimônio público. Um caminhão da prefeitura, desaparecido há 10 anos, foi encontrado enterrado em um terreno público, dando início a uma investigação policial e ambiental complexa.

Uma história que por quase uma década habitou o imaginário popular da pequena cidade de Araricá, na Região Metropolitana de Porto Alegre, deixou de ser uma lenda urbana para se tornar um caso de investigação policial e ambiental. Um caminhão-caçamba pertencente ao patrimônio municipal, que estava desaparecido há cerca de dez anos, foi finalmente localizado na última semana. O detalhe que chocou a comunidade e as autoridades locais não foi apenas o reaparecimento do veículo, mas o local e o estado em que ele se encontrava: o caminhão estava completamente enterrado em um terreno público, as margens do Arroio Ferrabrás.

O caso começou a ganhar contornos de realidade após um minucioso levantamento de patrimônio realizado pela administração municipal no início de 2025. Durante a conferência dos bens da prefeitura, os gestores notaram a ausência física do veículo, embora ele ainda constasse nos registros oficiais. A partir dessa constatação, antigos boatos que circulavam entre os 8,5 mil habitantes de Araricá ganharam força. Relatos de moradores mais antigos e servidores de longa data sugeriam que o caminhão não havia sido furtado ou vendido, mas sim sepultado sob a terra em uma área central do município, conhecida como Largo das Azaleias.

O local onde o veículo foi encontrado possui uma relevância estratégica e social para a cidade. O Largo das Azaleias fica nas proximidades de uma escola municipal de Educação Infantil e de prédios que abrigam secretarias importantes, como a de Obras, além da sede do Corpo de Bombeiros Voluntários. Segundo testemunhas que preferiram manter o anonimato ou que relataram o caso à imprensa local, o caminhão foi visto pela última vez em estado de deterioração naquele mesmo pátio antes de sumir misteriosamente da vista de todos. O que se acreditava ser uma história fantasiosa revelou-se um crime contra o patrimônio público quando as escavadeiras da prefeitura, enviadas para checar os rumores, atingiram as chapas de metal retorcido sob o solo.

O esforço para a retirada do veículo foi complexo e exigiu que o caminhão fosse desmembrado sob a terra. A caçamba precisou ser separada do chassi para que as peças pudessem ser içadas. O chassi, inclusive, é considerado a peça-chave para a investigação, pois contém as numerações de identificação que permitem rastrear o histórico oficial do veículo, incluindo o último responsável direto por sua guarda. O prefeito atual, Oseas Cardoso, expressou indignação com a descoberta, classificando o ato como gravíssimo. Além do dano direto ao erário público pelo descarte irregular de um bem que poderia ter sido leiloado ou reaproveitado, há uma forte preocupação com o impacto ecológico, uma vez que o enterrio ocorreu próximo a um curso d'água, podendo causar contaminação do solo por resíduos de óleo e combustível.

Agora, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul assumiu o caso e instaurou um inquérito para solucionar as diversas perguntas que permanecem sem resposta: quem deu a ordem para enterrar o veículo, qual era o objetivo de ocultar o patrimônio dessa forma e em qual gestão exatamente o crime ocorreu. Perícias técnicas serão realizadas no local para avaliar a extensão dos danos ambientais e tentar precisar a data do soterramento. Para a população de Araricá, o desfecho do mistério traz um misto de alívio por confirmar a verdade e revolta pela forma como o dinheiro público foi tratado. O episódio serve como um alerta para a necessidade de maior transparência e rigor na gestão de frotas e inventários municipais em todo o país.

#Araricá#caminhão enterrado#crime ambiental#patrimônio público#Rio Grande do Sul#investigação policial#lenda urbana

Leia também