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Nutricionista usa técnicas de artes marciais para sobreviver a tentativa de estupro em SP

Vítima de 35 anos utilizou conhecimentos de artes marciais para lutar contra invasor por 13 minutos; criminoso é reincidente e estava em liberdade condicional.

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Redação 360 Notícia
5 de junho de 2026 às 05:003 min
Nutricionista usa técnicas de artes marciais para sobreviver a tentativa de estupro em SP
Foto: Reprodução
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A nutricionista Jéssica Santos, de 35 anos, utilizou técnicas de jiu-jítsu e muay thai para enfrentar um invasor e impedir um estupro em seu apartamento em Barueri. O agressor, Wellington de Oliveira Santos, é reincidente e estava em liberdade condicional no momento do crime. Leia os detalhes.

Uma nutricionista de 35 anos, identificada como Jéssica Santos, sobreviveu a uma violenta tentativa de estupro em seu próprio apartamento, localizado em um condomínio em Barueri, na Grande São Paulo. O episódio, ocorrido na manhã do dia 23 de maio, ganhou repercussão nacional devido à bravura da vítima, que utilizou conhecimentos técnicos de artes marciais para conter o criminoso durante 13 minutos de luta corporal intensa. Jéssica, que pratica modalidades como boxe, muay thai e jiu-jítsu, além de ter realizado cursos específicos de defesa pessoal para mulheres, conseguiu evitar a consumação do abuso sexual e imobilizar o agressor temporariamente até conseguir fugir e pedir socorro aos vizinhos.

O caso expõe uma realidade alarmante no Brasil: o aumento da vulnerabilidade feminina mesmo em ambientes considerados seguros, como condomínios de alto padrão com controle de acesso. De acordo com os registros das câmeras de monitoramento, o invasor, Wellington de Oliveira Santos, aproveitou a saída de um morador para adentrar o prédio às 8h22. Ele conseguiu burlar a vigilância, passando por baixo de uma catraca na recepção sem ser questionado por funcionários, e subiu pelo elevador até o 18º andar. O criminoso encontrou a porta da residência de Jéssica apenas encostada — uma prática que o casal adotava ocasionalmente por confiar na segurança do edifício — e invadiu o imóvel enquanto a nutricionista ainda dormia.

Ao perceber a presença do estranho, Jéssica relatou que o homem tentou silenciá-la, alegando estar armado e afirmando que o ataque seria uma "fita dada" (crime planejado), além de sugerir que a monitorava há tempos. A reação da vítima foi imediata e guiada pelo instinto de sobrevivência reforçado pelo treinamento técnico. Ela utilizou uma manobra de elevação pélvica, o "upa", para projetar o agressor para fora de sua cama e ganhar espaço. Durante o embate, que se estendeu pela escada do imóvel, Jéssica aplicou um golpe de "mata-leão" e socos que feriram a boca do criminoso, que usava aparelho ortodôntico. "Eu briguei pela vida mesmo", afirmou a nutricionista, destacando que sua preparação física e técnica foi o diferencial entre a vida e a morte.

A gravidade do ocorrido torna-se ainda mais nítida ao analisar os antecedentes do agressor. Wellington de Oliveira Santos é reincidente e estava em regime de livramento condicional no momento do crime. Ele possui uma condenação anterior, de 2017, a mais de 11 anos de prisão por crimes semelhantes, incluindo estupro e roubo qualificado. Durante a audiência de custódia, o suspeito negou as acusações e implorou quatro vezes ao juiz para não ser mantido preso, alegando que entrou no prédio apenas para se proteger da chuva. No entanto, o magistrado converteu a prisão em preventiva, baseando-se nas provas colhidas, incluindo os ferimentos da vítima e os registros de vídeo que mostram a perseguição nos corredores do prédio.

Este incidente levanta um debate jurídico e social sobre a responsabilidade civil de condomínios em casos de falhas graves de segurança. A defesa de Jéssica já sinalizou que buscará reparação judicial contra o edifício, apontando negligência na portaria e no monitoramento interno. Para especialistas em segurança pública, o caso é um lembrete da importância de redes de apoio e de protocolos de defesa pessoal, mas também enfatiza a necessidade de fiscalização mais rigorosa sobre egressos do sistema prisional com histórico de crimes sexuais. Jéssica, que precisou deixar o apartamento por trauma e agora faz acompanhamento psicológico, espera que sua história sirva de alerta e pressione por condutas de segurança mais eficientes, evitando que outras mulheres passem por horrores semelhantes dentro de suas próprias casas.

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