Minha Voz

Não há nada de ruim em viver sonhando.

Alguns sonhos se realizam, outros permanecem guardados, intactos, como relíquias da alma. São mais bonitos quando não tocados, porque não envelhecem, não enferr

16 de fevereiro de 2026 às 11:592 min
Não há nada de ruim em viver sonhando.
Foto: Reprodução
Compartilhar

Alguns sonhos se realizam, outros permanecem guardados, intactos, como relíquias da alma. São mais bonitos quando não tocados, porque não envelhecem, não enferrujam, não morrem. Ficam jovens na memória, mesmo quando nós já não somos os mesmos.

Alguns sonhos se realizam, outros permanecem guardados, intactos, como relíquias da alma. São mais bonitos quando não tocados, porque não envelhecem, não enferrujam, não morrem. Ficam jovens na memória, mesmo quando nós já não somos os mesmos.

Recordo o cheiro do feijão na casa de minha irmã. Bastou uma colher no fogo para que o perfume me levasse de volta à cozinha de minha avó. Era como se o tempo se abrisse em portais invisíveis: o feijão, as cobertas de retalhos costuradas à mão, cada pedaço de tecido contando nossa história, abraçando-nos todas as noites.

O café torrado no pilão, misturado ao açúcar queimado, tinha um sabor doce e fino, impossível de reproduzir hoje. Era cheiro de saudade, gosto de amor e carinho. E no quintal, as plantas medicinais, o riso das cantigas, o tempero que nascia da terra e se transformava em vida.

Essas lembranças são sonhos já vividos, mas que se travestem de saudade. São eles que me tornam resiliente, que me lembram que a vida é feita de pequenas grandezas. Às vezes, na rua, um perfume qualquer me surpreende e me arranca um sorriso. Para os outros, parece loucura; para mim, é a vida me convidando para dançar de rosto colado, coração abraçado, pele tocada pela brisa.

Sou saudosista, sim. Porque sei que a geração de hoje talvez nunca saiba o que é isso: viver de simplicidade, saborear o tempo, cantar músicas boas, estar perto de companhias que não exigem nada além de presença. Muitos passam pela vida sem vivê-la e vão continuar assim na superficialidade e rótulos.

Eu vivi.

Apesar dos pesares, sobrevivi.

E sigo vivendo, porque os sonhos — os meus — nunca morrem.

Antonio Marcos de Souza

#sonhos#viver#sonhando

Leia também