Música brasileira perde Gilson, compositor de hits que marcaram gerações e trilhas sonoras
Autor do clássico 'Casinha Branca' e de sucessos na voz de Emílio Santiago, artista potiguar faleceu aos 73 anos em Minas Gerais.

O cenário musical brasileiro se despede de Gilson Vieira da Silva, o gênio por trás de 'Casinha Branca' e 'Verdade Chinesa'. O compositor potiguar faleceu aos 73 anos em Minas Gerais, deixando uma vasta obra que marcou gerações nas trilhas de novelas e nas vozes de grandes intérpretes.
A música popular brasileira perdeu um de seus nomes mais sensíveis e discretos, mas de presença inquestionável no imaginário coletivo. O cantor e compositor potiguar Gilson Vieira da Silva faleceu no último sábado, 30 de maio, aos 73 anos de idade. O artista, que passara a residir no distrito de Boa Família, em Muriaé, interior de Minas Gerais, partiu deixando um legado que vai muito além do sucesso que o imortalizou na década de 1970. Embora a causa da morte não tenha sido detalhada pelos familiares, a despedida do músico gerou uma onda de homenagens entre colegas de profissão e admiradores que acompanharam sua trajetória de quase cinco décadas nos palcos e estúdios.
Gilson entrou para o panteão da MPB e da canção romântica em 1979, quando lançou o compacto que trazia "Casinha Branca". Escrita em parceria com Joran Ferreira da Silva, a faixa capturou o espírito de uma época que buscava refúgio na simplicidade e no lirismo bucólico. A consagração definitiva veio com a inclusão da música na trilha sonora da novela "Marrom Glacê", da TV Globo, o que transformou a canção em um fenômeno radiofônico instantâneo. A "casinha" descrita nos versos tornou-se um símbolo de paz e desejo de retorno às origens, sendo regravada por nomes de peso que variam de Maria Bethânia a Fábio Jr., passando por intérpretes de samba como Neguinho da Beija-Flor e ícones da música romântica como José Augusto e o saudoso Altemar Dutra.
Entretanto, reduzir a carreira de Gilson a um único sucesso seria um equívoco histórico. Como compositor, ele demonstrou uma versatilidade notável, transitando entre a canção melódica, o pop radiofônico e até o samba. Na década de 1980, ele formou parcerias produtivas que renderam hits inesquecíveis para outros intérpretes. Com Joran, compôs "I Love You Baby" e "Combinado Assim", canções que se tornaram marcas registradas da cantora Adriana. Além disso, viu suas letras ganharem novas camadas de sofisticação em vozes como a de Peninha, com "Seu Jeito de Amar" — obra que mais tarde seria selecionada por Bethânia para integrar um de seus aclamados registros ao vivo, reafirmando a qualidade autoral do potiguar.
Outra faceta fundamental de sua produção foi a colaboração com o letrista Carlos Colla, que resultou em "Verdade Chinesa", uma das faixas mais emblemáticas da discografia de Emílio Santiago. Lançada em 1990, a canção ajudou a definir o estilo sofisticado do samba-canção moderno e permanece como um dos sambas mais executados em karaokês e rodas de música por todo o país. Gilson também circulou entre nomes como Ed Wilson, Prêntice e Ronaldo Bastos, parcerias que geraram sucessos como "Não Diga Nada", provando que sua sensibilidade melódica era conectada com as tendências estéticas de diferentes décadas da indústria fonográfica brasileira.
Para o público brasileiro, a partida de Gilson representa o encerramento de um capítulo de uma era em que as trilhas sonoras de televisão serviam como o principal canal de democratização da música de qualidade. Sua capacidade de transformar sentimentos cotidianos e saudades profundas em melodias acessíveis é o que garante que sua obra não seja esquecida. Nos próximos dias, espera-se que tributos e programas especiais de rádio relembrem sua discografia, indo além do óbvio e explorando o cancioneiro rico que ele construiu nos bastidores da MPB. Gilson Vieira da Silva será lembrado como o arquiteto de uma "casinha" que continuará oferecendo abrigo fonográfico para os corações nostálgicos do Brasil.





