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Mudança de ciclo: Derrotas nas urnas abalam hegemonia da família Calheiros em Alagoas

Com a derrota de Renan Calheiros para o Senado e de Renan Filho para o governo estadual, grupo político perde postos estratégicos após três décadas.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
Publicado em 10 de outubro de 2026 às 08:003 min
Mudança de ciclo: Derrotas nas urnas abalam hegemonia da família Calheiros em Alagoas
Foto: Reprodução
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A hegemonia da família Calheiros em Alagoas sofreu um duro revés nas eleições recentes, com derrotas no Senado e no Governo Estadual, marcando o fim de um ciclo de 32 anos.

O cenário político do estado de Alagoas atravessa uma transformação estrutural profunda após o encerramento da apuração das últimas eleições. Pela primeira vez em mais de três décadas, o clã Calheiros, um dos mais longevos e influentes na política nacional, sofreu derrotas simultâneas em cargos estratégicos, marcando o que analistas consideram o fim de uma era de hegemonia quase ininterrupta. A principal mudança ocorre no Senado Federal, onde Renan Calheiros (MDB) deixará seu assento em fevereiro de 2027, após ocupar o cargo por 32 anos consecutivos, período no qual presidiu a Casa e exerceu papel de articulador central na República.

Os dados consolidados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) revelam um deslocamento significativo na preferência do eleitorado alagoano. Na disputa por uma cadeira no Senado, Renan Calheiros obteve 731.045 votos, o que representa 22,24% dos votos válidos, terminando o pleito na terceira colocação. A derrota foi consolidada pela vitória de Arthur Lira, que alcançou 28,87% da preferência, e de Marina JHC, que obteve 28,20%. Esse resultado não apenas retira de Renan o mandato, mas sinaliza a ascensão de novos grupos políticos que agora passam a dominar as principais representações federais do estado no Congresso Nacional.

Complementando o revés familiar, a disputa pelo Poder Executivo estadual também não foi favorável ao grupo político dos Calheiros. Renan Filho (MDB), ex-governador e atual ministro, saiu derrotado na tentativa de retornar ao comando do Palácio República dos Palmares. A votação foi decidida ainda no primeiro turno, com JHC (PSDB) garantindo a eleição ao somar 892.484 votos (52,20%), superando os 809.796 votos (47,37%) recebidos pelo herdeiro do clã. A perda do governo estadual é considerada um golpe severo, uma vez que a estrutura administrativa local sempre funcionou como o principal alicerce para a manutenção do capital político da família no interior do estado.

Especialistas em ciência política consultados sobre o fenômeno observam que este desfecho nas urnas coloca em xeque a longevidade do poder familiar em Alagoas, mas pedem cautela em análises extremas. Embora a perda de cargos majoritários reduza drasticamente a capacidade de articulação, de indicação de emendas e de influência direta sobre o orçamento, a família Calheiros ainda mantém uma base de prefeitos e vereadores aliados em diversos municípios. A grande questão agora reside na capacidade de resiliência e adaptação do grupo, que precisará atuar fora do centro do poder pela primeira vez em décadas, enfrentando uma oposição que agora detém tanto o controle estadual quanto a liderança em Brasília.

As implicações dessa mudança de comando devem ser sentidas nos próximos meses na conformação das alianças partidárias regionais. Com a saída de Renan Calheiros do Senado em 2027, a dinâmica das negociações no Congresso Nacional também deve sofrer ajustes, dado o peso que o parlamentar possuía em decisões ligadas ao Judiciário e ao Executivo Federal. O futuro político do clã dependerá, fundamentalmente, de como Renan Filho e seu pai conseguirão reorganizar as bases do MDB para o próximo ciclo eleitoral municipal, buscando frear a expansão dos grupos liderados por Arthur Lira e JHC, que emergem como as novas forças dominantes em Alagoas.

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Autor: Antonio Marcos de Souza

Publicado: 10 de outubro de 2026 às 08:00

Atualizado: 10 de outubro de 2026 às 08:00

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