Motorola Solutions adquire tecnologia capaz de 'sequestrar' drones no ar em negociação bilionária
Gigante americana investe US$ 1,5 bilhão na D-Fend Solutions, empresa especializada em interceptar e neutralizar aeronaves não tripuladas remotamente.

A Motorola Solutions investe US$ 1,5 bilhão na compra da israelense D-Fend Solutions, detentora de tecnologia que assume o controle de drones hostis sem derrubá-los. O sistema EnforceAir promete revolucionar a segurança em aeroportos e áreas militares por meio de neutralização via rádio.
Em um movimento estratégico que reforça a consolidação do mercado de segurança cibernética e defesa aérea, a gigante americana Motorola Solutions anunciou a aquisição da empresa israelense D-Fend Solutions. O negócio, avaliado em aproximadamente US$ 1,5 bilhão, coloca a Motorola em uma posição de destaque na gestão de ameaças aéreas não tripuladas. O foco da transação é o acesso à tecnologia EnforceAir, um sistema inovador capaz de interceptar e assumir o controle de drones considerados hostis ou não autorizados, oferecendo uma camada extra de proteção para infraestruturas críticas e eventos de grande escala ao redor do globo.
A D-Fend Solutions, estabelecida em 2016, emergiu em um cenário onde o uso de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) deixou de ser uma exclusividade militar para se tornar um desafio de segurança pública e privada. Com a proliferação desses dispositivos, os métodos tradicionais de defesa, muitas vezes baseados na destruição física das aeronaves (como o uso de redes, lasers ou disparos), tornaram-se arriscados em ambientes urbanos ou densamente povoados devido ao perigo de queda de destroços. O diferencial tecnológico israelense reside na capacidade de neutralizar a ameaça sem o uso de força bruta, utilizando ondas de rádio para desconectar o operador original e assumir o comando da aeronave remotamente.
O funcionamento do sistema EnforceAir é baseado em um processo de identificação sofisticado. A ferramenta utiliza frequências de rádio para escanear o espaço aéreo, localizando drones a longas distâncias e diferenciando-os de pássaros ou outros objetos voadores. Uma vez detectado, o sistema consegue ler o prefixo, a marca e o modelo do equipamento, verificando instantaneamente se a aeronave possui autorização para estar naquele perímetro. Caso seja confirmada uma invasão, a tecnologia rompe o sinal de controle remoto do piloto e força o drone a realizar um pouso seguro em um local pré-determinado ou a retornar ao ponto de decolagem original. Essa abordagem garante que as comunicações locais e os drones "amigos" não sofram interferências, permitindo a continuidade de operações legítimas.
Este mercado está em franca expansão diante do aumento de incidentes envolvendo drones em aeroportos, prisões e zonas de conflito internacional. A relevância da tecnologia é sublinhada pela sua adoção em mais de 30 países, incluindo nações pertencentes à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Para o Brasil e outros mercados emergentes, o avanço desse setor sinaliza uma mudança nas diretrizes de segurança pública: o monitoramento físico já não é suficiente sem uma capacidade de resposta eletrônica ativa. A perspectiva é que sistemas como este se tornem padrão em estádios de futebol, refinarias de petróleo e sedes governamentais, locais onde a espionagem ou ataques por drones representam riscos severos à integridade física e à segurança nacional.
A Motorola Solutions, que se desvinculou da divisão de telefonia móvel há mais de uma década, projeta que a transação seja concluída no último trimestre de 2026. A estimativa é que o faturamento da D-Fend alcance US$ 185 milhões ainda este ano, refletindo um crescimento anual superior a 50%. De acordo com analistas da Mordor Intelligence, o setor de contramedidas para drones deve saltar de uma avaliação de US$ 2,47 bilhões para mais de US$ 8,4 bilhões até o início da próxima década. Esse crescimento é impulsionado por legislações mais agressivas, como o Safer Skies Act nos Estados Unidos, que concede novos poderes a autoridades policiais para interceptar drones, criando uma demanda sem precedentes por soluções de engenharia eletrônica de ponta.






