Morte de estudante carbonizada em Araguaína: Investigação aponta passado violento de padrasto
Padrasto da vítima tinha condenação anterior por matar outra enteada; polícia encontrou galão de gasolina no local do crime.

Investigação aponta que padrasto de Laiane Cardoso Noleto já havia sido condenado por matar outra enteada em 2009. Corpos foram localizados carbonizados em Araguaína após explosão suspeita em residência. Jovem de 19 anos cursava Direito.
Uma tragédia ocorrida em Araguaína, na região norte do Tocantins, chocou a comunidade local nesta semana. Laiane Cardoso Noleto, uma jovem estudante de 19 anos, e seu padrasto, Ivano Vaz Cunha, de 49 anos, foram encontrados mortos dentro de uma residência no setor Rodoviário. O incidente, marcado por uma explosão seguida de incêndio, mobilizou o Corpo de Bombeiros e as forças de segurança pública na última quarta-feira (3). A violência do ocorrido e as condições em que as vítimas foram localizadas levantaram suspeitas imediatas sobre as circunstâncias das mortes, que agora estão sob rigorosa investigação da Polícia Civil.
De acordo com informações fornecidas pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros, vizinhos relataram ter ouvido um forte estrondo vindo do interior da casa antes que as chamas se alastrassem. Ao controlarem o fogo, os militares encontraram os corpos de Laiane e Ivano em um dos quartos da residência. Um detalhe perturbador chamou a atenção dos investigadores: ambos estavam sem as vestimentas na parte inferior do corpo e no local foi apreendido um galão que continha resquícios de gasolina. A presença de combustível sugere que o incêndio possa ter sido provocado intencionalmente, o que direciona o inquérito para a possibilidade de um crime seguido de suicídio ou um duplo homicídio camuflado pela deflagração do fogo.
O luto da família é acompanhado por um sentimento de profunda indignação e perda. Gustavo Noleto, primo de Laiane, descreveu a jovem como uma pessoa dedicada aos estudos e cheia de planos para o futuro. Laiane cursava a faculdade de Direito e manifestava o desejo de construir uma carreira sólida na área jurídica. "Ela era uma moça muito estudiosa e inteligente. Tinha o sonho de terminar a faculdade e um futuro promissor pela frente", lamentou o familiar. A jovem foi sepultada na tarde da quinta-feira (4), em meio a muita comoção de amigos e parentes que ainda buscam entender os motivos da fatalidade.
O histórico criminal de Ivano Vaz Cunha adiciona uma camada de complexidade e alerta ao caso. Documentos do Poder Judiciário revelam que Ivano já havia sido condenado anteriormente, em 2009, a uma pena de 35 anos de prisão em regime fechado. O crime que motivou a condenação foi o homicídio de uma outra jovem, que também teria sido sua enteada na época. Atualmente, ele estava em regime aberto e utilizava monitoramento eletrônico por tornozeleira. A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) confirmou que Ivano possuía autorização judicial para exercer trabalho externo como vendedor, o que lhe permitia circular pelo estado, desde que respeitasse o recolhimento noturno em sua residência.
A reincidência de condutas violentas no histórico do padrasto levanta debates necessários sobre a eficácia do sistema de progressão de regime e a fiscalização de indivíduos com histórico de crimes contra a vida no ambiente doméstico. A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Araguaína, aguarda os laudos periciais do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal (IML). Esses exames serão cruciais para determinar se houve violência física antes do incêndio e para esclarecer a dinâmica da explosão. O monitoramento da tornozeleira eletrônica de Ivano também será analisado para reconstruir seus últimos passos antes do trágico desfecho.
Para o leitor brasileiro, casos como este reforçam a urgência do debate sobre a segurança de mulheres e jovens em contextos domiciliares, especialmente quando convivem com egressos do sistema prisional com histórico de crimes violentos. A investigação agora corre contra o tempo para dar respostas à sociedade e aos familiares de Laiane, que veem uma vida interrompida precocemente. Espera-se que, nos próximos dias, a DHPP apresente um relatório preliminar detalhando se o caso será tratado como feminicídio seguido de suicídio, uma linha de investigação que ganha força diante dos antecedentes do homem envolvido.





