Morre Noca da Portela, um dos maiores ícones do samba brasileiro, aos 93 anos
Vítima de complicações de uma pneumonia, o baluarte portelense deixou um legado de 500 composições e uma trajetória marcada pelo engajamento político.

O lendário compositor e cantor Noca da Portela faleceu aos 93 anos, no Rio de Janeiro, deixando um legado de 500 músicas e uma história marcada pelo ativismo político e amor à Azul e Branco.
O cenário do samba brasileiro perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas neste domingo. Oswaldo Alves Pereira, consagrado nacionalmente como Noca da Portela, faleceu no Rio de Janeiro aos 93 anos. O artista estava hospitalizado para tratar uma infecção urinária, mas o quadro evoluiu para uma pneumonia que resultou em complicações fatais. Mineiro de Leopoldina, Noca mudou-se para a capital fluminense ainda na infância, construindo uma trajetória que se confunde com a própria história da cultura carioca.
Com um catálogo impressionante de aproximadamente 500 composições, Noca foi um mestre em unir a arte popular à consciência social. Seu nome ficou marcado por sucessos imortais como "É preciso muito amor" e o hino de resistência "Virada", que se tornou um símbolo da redemocratização do Brasil na década de 1980. Ao longo de sua carreira, suas obras foram interpretadas por lendas da música brasileira, incluindo nomes como Beth Carvalho, Alcione, Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho.
Sua ligação com a Portela, iniciada nos anos 60 por influência de Paulinho da Viola, rendeu à escola sete sambas-enredo vitoriosos e hinos inesquecíveis como "Portela querida". Além da dedicação à agremiação de Madureira, o compositor manteve uma carreira solo sólida e posicionada, lançando discos que exaltavam a justiça social até seus últimos anos de vida. O velório e o sepultamento do baluarte representam um momento de luto oficial para o Carnaval e para a música popular brasileira.
