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Miriam Leitão alerta: Nova tarifa de 25% dos EUA é ameaça institucional ao Brasil

Análise aponta que cumprimento de ritos legais na Seção 301 torna medida de Trump difícil de reverter e ameaça competitividade brasileira.

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Redação 360 Notícia
2 de junho de 2026 às 13:003 min
Miriam Leitão alerta: Nova tarifa de 25% dos EUA é ameaça institucional ao Brasil
Foto: Reprodução
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A jornalista Miriam Leitão alerta para a gravidade da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Baseada na Seção 301, a medida é considerada mais perigosa que ações anteriores por ter seguido ritos legais que dificultam a reversão jurídica.

O cenário das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos atingiu um novo patamar de tensão com o recente anúncio de uma tarifa de importação de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Em análise detalhada sobre o tema, a jornalista Miriam Leitão destacou que esta nova ofensiva protecionista do governo liderado por Donald Trump apresenta riscos superiores aos movimentos anteriores. A gravidade, segundo a especialista, reside no fato de que esta medida não é um anúncio impulsivo via rede social, mas o resultado de um processo formal fundamentado na chamada Seção 301 da legislação comercial norte-americana, um dispositivo jurídico em vigor desde 1974 que dá amplos poderes ao Executivo para retaliar parceiros comerciais sob alegação de práticas desleais.

Diferente do "tarifaço" ocorrido em 2025, que teve um caráter mais improvisado e político, a taxação atual seguiu ritos processuais rigorosos, o que dificulta enormemente qualquer tentativa brasileira de reversão judicial em tribunais internacionais ou mesmo dentro do sistema jurídico dos Estados Unidos. O cumprimento desses procedimentos burocráticos internos confere uma "casca de legalidade" à medida, tornando-a uma ameaça institucionalizada. Para o Brasil, os desdobramentos são preocupantes, pois a decisão afeta diretamente a competitividade de manufaturados e commodities em um dos seus mercados mais estratégicos, forçando uma readequação de custos que pode impactar a balança comercial e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos trimestres.

O histórico das negociações revela um esforço diplomático e jurídico intenso por parte do governo brasileiro e do setor privado. Equipes de negociadores, membros do Ministério das Relações Exteriores e empresários acompanhados de corpos jurídicos especializados realizaram diversas missões a Washington para contestar as premissas da investigação. Entre os pontos utilizados pelos EUA para justificar a tarifa, estão críticas à proteção da propriedade intelectual, ao combate à pirataria e até mesmo questões ambientais, como o desmatamento. Além disso, curiosamente, o sistema de pagamentos Pix entrou na mira americana sob a acusação de afetar o mercado de cartões de crédito e pagamentos globais dominados por empresas dos Estados Unidos.

Miriam Leitão refutou os argumentos americanos apontando contradições gritantes. No campo ambiental, a jornalista lembrou que o Brasil tem registrado quedas consistentes nos índices de desmatamento, com projeções de atingir em 2026 o menor patamar histórico desde 1988. Quanto ao Pix, a crítica norte-americana é vista como uma tentativa de barrar uma inovação financeira que, embora concorra com as bandeiras de cartão de crédito americanas, é uma ferramenta de inclusão bancária e eficiência nacional. O uso de tais argumentos reforça a leitura de que a motivação real por trás da Seção 301 é uma barreira protecionista política disfarçada de conformidade técnica, visando proteger indústrias domésticas dos EUA que perdem espaço para a eficiência brasileira.

Com a entrada em vigor prevista para o dia 15 de julho, o governo brasileiro corre contra o tempo. O país mantém a postura de diálogo e diplomacia, mas o cenário é desafiador, dado que o governo de Donald Trump tem priorizado uma agenda de isolacionismo comercial e confronto com grandes exportadores. Para o setor produtivo brasileiro, resta a expectativa de que as rodadas finais de negociação possam excluir produtos-chave da lista ou que o governo federal encontre formas de mitigar o prejuízo aos exportadores. A relevância deste tema para o leitor brasileiro é direta: taxas mais altas nos EUA significam menos dólares entrando no país, pressão sobre o câmbio e potencial redução de investimentos em setores que dependem do mercado externo, afetando do agronegócio à indústria metalúrgica.

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