Milhares marcham em Buenos Aires em defesa do orçamento das universidades públicas
Docentes e estudantes denunciam defasagem salarial e risco à continuidade de pesquisas científicas em meio a bloqueio de verbas.

Manifestantes lotaram as ruas de Buenos Aires para cobrar a liberação de verbas aprovadas pelo Congresso. O setor acadêmico denuncia perdas salariais e riscos à pesquisa científica sob o governo de Javier Milei.
Milhares de pessoas se reuniram nas ruas de Buenos Aires para manifestar insatisfação com a política econômica do governo de Javier Milei voltada ao ensino superior. O protesto, que reuniu estudantes e professores, foca na falta de repasses financeiros que têm comprometido o funcionamento de diversas instituições públicas. Os manifestantes enfatizaram que o ensino gratuito é um direito fundamental e que a redução de verbas ameaça a continuidade de pesquisas acadêmicas e o sistema de bolsas de apoio estudantil.
O epicentro da crise reside no descumprimento de uma legislação aprovada pelo Congresso argentino, concebida para ajustar o orçamento das universidades e os vencimentos dos profissionais aos altos índices inflacionários do país. Embora a lei preveja uma atualização necessária diante da desvalorização do peso, o governo federal ainda não liberou os recursos, gerando um impasse que afeta diretamente o cotidiano das faculdades e a qualidade pedagógica oferecida à população.
Relatos de docentes indicam um cenário crítico, com perdas salariais estimadas em cerca de um terço do poder de compra desde o início da atual gestão. Muitos professores afirmam que a remuneração atual é insuficiente para cobrir gastos básicos, obrigando-os a acumular múltiplas funções e prejudicando a dedicação exclusiva ao ensino. Sem uma solução imediata por parte do Executivo, a disputa orçamentária pode ser levada à Suprema Corte da Argentina, que teria a responsabilidade de decidir sobre a obrigatoriedade da implementação do financiamento previsto em lei.




