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Mais de 23 toneladas de lixo são retiradas do mar em Ubatuba e São Sebastião

Iniciativa do Programa Mar Sem Lixo mobiliza pescadores artesanais e revela que 97% do material recolhido no litoral norte é plástico.

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Redação 360 Notícia
5 de junho de 2026 às 05:003 min
Mais de 23 toneladas de lixo são retiradas do mar em Ubatuba e São Sebastião
Foto: Reprodução
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Pescadores artesanais removeram quase 24 toneladas de lixo dos mangues e praias de Ubatuba e São Sebastião através do Programa Mar Sem Lixo. A iniciativa, que remunera a categoria durante o defeso, revela que 97% dos resíduos encontrados no mar são plásticos oriundos das cidades costeiras.

Uma iniciativa ambiental de impacto mobilizou pescadores artesanais no Litoral Norte de São Paulo, resultando na retirada de quase 24 toneladas de resíduos sólidos das águas e manguezais de Ubatuba e São Sebastião. A ação ocorreu entre os meses de fevereiro e abril deste ano, aproveitando o período de defeso do camarão — fase em que a pesca da espécie é proibida para garantir sua reprodução. Ao todo, foram contabilizadas 14,8 toneladas recolhidas em Ubatuba e 9,1 toneladas em São Sebastião, reforçando a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à preservação oceânica e ao manejo correto de descartes urbanos.

A operação faz parte do Programa Mar Sem Lixo, uma estratégia do Governo do Estado de São Paulo que visa não apenas a limpeza dos ecossistemas marinhos, mas também a sustentação financeira das comunidades caiçaras. Durante o defeso, quando a renda dos pescadores costuma cair drasticamente, o programa oferece uma remuneração pela coleta de lixo, transformando o barco de pesca em uma ferramenta de despoluição. Desde sua implementação em 2023, o projeto já alcançou a marca expressiva de 164 toneladas de detritos removidos do litoral paulista, evidenciando a magnitude do problema enfrentado pelas cidades litorâneas brasileiras.

Os dados revelados pelo programa são alarmantes no que diz respeito à composição do material encontrado. Impressionantes 97% dos resíduos coletados nos manguezais e no mar são compostos por plástico. Entre os itens mais frequentes, destacam-se embalagens de alimentos ultraprocessados, copos descartáveis e recipientes de bebidas alcoólicas. Segundo a coordenação do projeto, a maior parte desse volume não é descartada diretamente em alto-mar, mas sim proveniente de descartes irregulares realizados dentro das áreas urbanas, que acabam sendo levados pelos rios e sistemas de drenagem até atingirem as águas costeiras.

O foco nos manguezais é estratégico e vital para a biodiversidade. Conhecidos como "berçários da vida marinha", esses ecossistemas desempenham funções ecológicas insubstituíveis, como a reprodução de diversas espécies de peixes, crustáceos e moluscos que servem de base para a economia local. Além disso, os mangues atuam como filtros biológicos para poluentes e são fundamentais na proteção da linha de costa contra a erosão e o avanço das marés. A presença massiva de plásticos nesses locais impede o desenvolvimento da vegetação típica e prejudica a fauna, criando um ciclo de degradação que afeta diretamente o rendimento pesqueiro a longo prazo.

Atualmente, o Programa Mar Sem Lixo conta com 344 pescadores artesanais cadastrados em diversos municípios do estado. Além das cidades do Litoral Norte mencionadas, a iniciativa também abrange Guarujá, Bertioga, Cananeia e Itanhaém. Apenas nos primeiros meses de 2024, o total retirado nos seis municípios chegou a 43 toneladas. O sucesso da iniciativa demonstra que a integração entre conservação ambiental e desenvolvimento social é um caminho viável. Para o leitor brasileiro, o impacto vai além do meio ambiente: a preservação das praias e do ecossistema marinho é essencial para o turismo e para a segurança alimentar, garantindo que as futuras gerações ainda tenham acesso aos recursos naturais que sustentam as tradições e a economia das cidades litorâneas.

Para o futuro, a expectativa é que o programa seja ampliado para outras regiões da costa e que as ações de conscientização urbana sejam intensificadas. O volume de lixo retirado serve como um termômetro da ineficiência do gerenciamento de resíduos sólidos nas cidades paulistas e ressalta a importância de celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente com metas práticas e não apenas discursos. O desafio agora reside em reduzir a chegada de novos resíduos ao oceano, o que exige um esforço coordenado entre prefeituras, empresas e a população em geral, reduzindo o consumo de plásticos de uso único e aprimorando a coleta seletiva nas áreas urbanas que margeiam o oceano.

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