Lutador que agrediu adolescente em Goiânia exibia armas em redes sociais antes do crime
Praticante de Jiu-Jitsu que asfixiou jovem até o desmaio possuía soco inglês e facas; liberdade provisória gera medo em moradores.

O lutador Rafael Gomes Pereira, flagrado espancando um adolescente em Goiânia, já ostentava armas de pressão em redes sociais. Mesmo após a brutalidade do ataque, que deixou a vítima desacordada e em convulsão, a Justiça concedeu liberdade provisória com uso de tornozeleira.
Um episódio de extrema violência ocorrido na Praça das Artes, localizada no Jardim Goiás, em Goiânia, ganhou novos e alarmantes contornos após a identificação do agressor como Rafael Gomes Pereira. O homem, que se identifica nas redes sociais como mestre de artes marciais nas modalidades Jiu-Jitsu e Muay Thai, foi filmado espancando um adolescente de 17 anos até que o jovem perdesse a consciência. O ataque, motivado por uma desavença entre o filho do lutador e a vítima durante uma partida de futebol, revela um comportamento agressivo recorrente, agora agravado pela descoberta de vídeos publicados por Rafael dias antes do crime, nos quais ele exibe armas de pressão e simula golpes em espaços públicos.
O contexto do crime remete a uma desproporcionalidade técnica e física assustadora. As imagens que circulam na internet mostram Rafael aplicando um golpe de estrangulamento conhecido como "mata-leão". Mesmo com o adolescente já desacordado, o agressor manteve a pressão por cerca de um minuto, ignorando os pedidos desesperados de uma mulher, apontada como sua companheira, que tentava intervir fisicamente para frear a violência. Após soltar o corpo inerte do rapaz, que começou a apresentar convulsões no solo, Rafael ainda desferiu um chute nas costas da vítima antes de abandonar o local. A brutalidade do ato gerou revolta imediata na comunidade local, que é considerada uma região nobre da capital goiana.
A investigação policial trouxe à tona elementos que reforçam o perfil perigoso do suspeito. No momento da prisão em flagrante, realizada na última sexta-feira (29), as autoridades encontraram na residência de Rafael um arsenal que incluía um soco inglês, um canivete, uma faca de caça e uma pistola de pressão a gás — o mesmo equipamento que ele utilizava para intimidar seguidores em suas redes sociais. A presença desses objetos sinaliza para a polícia uma predisposição à violência armada ou ao menos à simulação de poder bélico, o que, somado ao conhecimento de técnicas de combate, transforma o indivíduo em uma ameaça constante à ordem pública.
O desdobramento jurídico do caso, no entanto, trouxe frustração e medo para a família da vítima. Apesar da gravidade das agressões e das evidências em vídeo, a audiência de custódia realizada no sábado (30) resultou na concessão de liberdade provisória ao lutador. A Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica e impôs uma medida protetiva que obriga Rafael a manter uma distância mínima de 300 metros do jovem agredido. Para a mãe da vítima, Vivian Pereira, a decisão judicial transmite uma "sensação de impunidade", especialmente porque este não seria o primeiro incidente envolvendo o lutador; em janeiro, um sobrinho da mesma família teria tido o nariz quebrado em outra situação de violência envolvendo o agressor.
A repercussão do caso encorajou outras vítimas a quebrarem o silêncio. Relatos de moradores do Jardim Goiás indicam que muitas famílias deixaram de frequentar a Praça das Artes por receio do comportamento hostil do lutador, que rotineiramente treinava seus filhos no local de forma intimidadora. O adolescente agredido passou por exames médicos para avaliar possíveis sequelas neurológicas devido ao tempo de asfixia e ao trauma craniano sofrido. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, enquanto a sociedade goiana debate os limites da legítima defesa e a responsabilidade de praticantes de artes marciais, que possuem o corpo juridicamente equiparado a uma arma branca em diversas interpretações legais. Espera-se que novos depoimentos e as perícias técnicas possam fundamentar uma denúncia mais robusta pelo Ministério Público.






