Lutador espanca adolescente até a inconsciência após briga de futebol em Goiânia
Rafael Gomes Pereira foi filmado aplicando mata-leão em jovem e só parou após intervenção de vizinhos no Jardim Goiás; suspeito responderá em liberdade com tornozeleira.

Lutador de artes marciais é filmado aplicando estrangulamento em adolescente de 17 anos após conflito em partida de futebol em Goiânia. Moradores de prédios vizinhos precisaram intervir para cessar o espancamento, que deixou a vítima inconsciente e com convulsões. Suspeito usará tornozeleira.
A violência registrada na Praça das Artes, localizada no bairro nobre Jardim Goiás, em Goiânia, chocou o público e mobilizou moradores de edifícios adjacentes na última sexta-feira (29). O lutador de artes marciais Rafael Gomes Pereira, de 43 anos, foi detido em flagrante sob a acusação de espancar brutalmente um adolescente de 17 anos. Segundo relatos de testemunhas e familiares da vítima, a agressão foi motivada por um desentendimento banal entre o filho do suspeito e a vítima durante uma partida de futebol recreativa no espaço público. O caso ganhou repercussão nacional após imagens de câmeras de segurança e registros feitos por populares circularem nas redes sociais, mostrando a gravidade do ataque.
De acordo com Vivian Pereira Cunha, mãe do jovem agredido, a intervenção dos vizinhos foi crucial para evitar uma tragédia ainda maior. Ela relata que os moradores dos prédios em frente à praça ouviram os gritos de socorro das outras crianças que presenciaram a cena e desceram apressadamente para intervir. O relato indica que Rafael só cessou as agressões quando percebeu que diversos adultos estavam se aproximando. Naquele instante, o adolescente já estava inconsciente no chão, após ser submetido a um estrangulamento prolongado. A brutalidade chamou a atenção não apenas pela força física empregada, mas pela desproporcionalidade entre um adulto treinado em técnicas de combate e um menor de idade.
Vídeos que compõem o inquérito policial mostram o lutador aplicando um golpe de "mata-leão" no jovem por cerca de um minuto. Mesmo com os apelos desesperados de uma mulher que acompanhava Rafael — que chegou a desferir socos contra o próprio companheiro para tentar soltar a vítima —, ele manteve a imobilização até que o adolescente perdesse os sentidos. Após o jovem desmaiar e começar a apresentar movimentos convulsivos, o agressor ainda foi flagrado desferindo um chute nas costas do rapaz antes de se afastar. A vítima foi socorrida com diversas lesões na face, cabeça e sangramentos, permanecendo em estado de confusão mental e desorientação por um longo período após recuperar a consciência.
O cenário de agressões no Jardim Goiás levanta um debate necessário sobre a responsabilidade de praticantes de artes marciais e o uso de técnicas de luta fora do ambiente esportivo. Rafael, que treina os próprios filhos e possui histórico de atritos com frequentadores da praça, é agora alvo de uma investigação por lesão corporal e corrupção de menores. Embora tenha sido solto em audiência de custódia no sábado (30), o Poder Judiciário impôs medidas cautelares rigorosas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de se aproximar da vítima ou de seus familiares em um raio de 300 metros. A decisão reflete a preocupação com a segurança pública em áreas compartilhadas por famílias e crianças.
Nos próximos dias, a Polícia Civil de Goiás deve colher novos depoimentos, incluindo o de um pai que se voluntariou como testemunha após afirmar que seu próprio filho também foi ameaçado pelo lutador. A defesa de Rafael não se manifestou publicamente até o fechamento desta edição, mas o caso segue sob monitoramento das autoridades e de órgãos de proteção à infância e juventude. Para o leitor brasileiro, este episódio serve como um alerta sobre a escalada da violência em condomínios e praças públicas, onde conflitos infantis, que deveriam ser mediados com diálogo, acabam terminando em intervenções violentas e criminosas por parte de adultos. A recuperação do adolescente, que passou por exames neurológicos para descartar sequelas permanentes, é acompanhada de perto pela família, que clama por justiça e segurança no bairro.






