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Justiça mantém preso homem que vigiava ex após pedido de socorro em bilhete em Minas Gerais

A magistrada destacou que o agressor possui histórico de crimes graves e representava perigo real à vida da ex-companheira.

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Redação 360 Notícia
31 de maio de 2026 às 05:003 min
Justiça mantém preso homem que vigiava ex após pedido de socorro em bilhete em Minas Gerais
Foto: Reprodução
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Justiça de Minas Gerais converte prisão de agressor em preventiva após vítima de 47 anos pedir socorro por bilhete em unidade de saúde em Contagem. Juíza destacou risco iminente de feminicídio e histórico criminal do suspeito.

A Justiça de Minas Gerais tomou uma decisão contundente ao converter em preventiva a prisão de Josimar Junio dos Santos, de 42 anos, detido após sua ex-companheira arquitetar um plano de fuga desesperado durante um atendimento médico. A magistrada responsável pelo caso fundamentou a manutenção da custódia na proteção à vida, identificando um perigo real e imediato de feminicídio. O caso, ocorrido em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ganhou repercussão nacional devido ao método utilizado pela vítima para denunciar o agressor: um bilhete de "SOS" entregue discretamente a uma profissional de saúde em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

O episódio de violência física e psicológica teve início ainda na madrugada de sexta-feira (29), quando o suspeito invadiu a residência da mulher de 47 anos. Segundo os relatos colhidos pelas autoridades, as agressões se estenderam por diversas horas, envolvendo socos, puxões de cabelo e ameaças de morte com o uso de armas brancas. A vítima relatou ter vivido momentos de pura tortura ao longo da noite, enquanto o agressor tentava coagi-la a não buscar ajuda. O estopim para a violência teria sido a recusa do homem em aceitar o término do relacionamento, uma característica comum em casos de violência doméstica que evoluem para crimes fatais, conforme apontam especialistas em segurança pública.

A estratégia de sobrevivência da vítima foi traçada na manhã do dia seguinte. Aproveitando um momento em que o agressor dormiu após a sessão de espancamento, ela escreveu uma mensagem curta, mas urgente, em um pedaço de papel. O texto implorava por ajuda policial e descrevia que estava sendo agredida. Sob o pretexto de ter um compromisso médico agendado, ela conseguiu convencer o homem a levá-la até a UBS. No local, sob o olhar vigilante do agressor, ela encontrou uma brecha para entregar o bilhete a uma enfermeira. O gesto ativou imediatamente os protocolos de segurança da unidade de saúde, que acionou a Guarda Civil Municipal.

Embora Josimar tenha fugido do posto de saúde antes da chegada das guarnições, ele foi localizado e detido nas proximidades da casa da vítima pouco tempo depois. Ao analisar o caso no plantão judiciário, a juíza Marina de Alcântara Sena destacou que a periculosidade do indivíduo é acentuada por seu histórico criminal pregressos, que inclui condenações definitivas por crimes graves como estupro e roubo majorado. A magistrada enfatizou que o cenário de "terror psicológico" e a ousadia de manter a vítima sob cerco mesmo em ambientes públicos demonstram que medidas cautelares mais brandas, como o uso de tornozeleira eletrônica ou o distanciamento social, seriam insuficientes para garantir a integridade física da mulher.

Este caso exemplifica a importância dos canais de atendimento público e da rede de proteção às mulheres no Brasil. Para o leitor brasileiro, a situação reforça o alerta sobre os sinais de escalada da violência doméstica e a necessidade de treinamento para profissionais de saúde e educação no reconhecimento de pedidos de socorro silenciosos. No atual cenário jurídico do país, a Lei Maria da Penha e as alterações recentes no Código Penal buscam endurecer as punições para agressores reincidentes, especialmente quando há indícios claros de que a liberdade do suspeito resultará no agravamento das agressões. A decisão de manter o acusado preso preventivamente visa interromper um ciclo que, estatisticamente, costuma terminar em tragédia se não houver intervenção estatal rígida.

Agora, o processo segue para a fase de instrução criminal, onde as provas colhidas pela polícia e o depoimento da vítima serão fundamentais para a condenação definitiva. O agressor permanece no sistema prisional à disposição da Justiça, enquanto a vítima deverá ser acompanhada por programas de assistência social e proteção. A defesa do acusado, representada inicialmente pela Defensoria Pública, chegou a pleitear a liberdade provisória alegando ausência de riscos ao processo, mas o argumento foi rejeitado diante da gravidade concreta dos fatos narrados e do risco iminente à vida da denunciante.

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