Justiça libera motorista que atropelou e matou três torcedores em Belém mediante fiança
Magistrado estipulou fiança de R$ 81 mil; acidente resultou na morte de três torcedores do Remo na Avenida Augusto Montenegro.

Justiça do Pará concede liberdade provisória a Pablo Henrique Farias da Silva, motorista que atropelou seis torcedores e causou três mortes em Belém. A soltura foi condicionada ao pagamento de fiança de R$ 81 mil e suspensão da CNH, sob forte comoção e indícios de embriaguez.
O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) oficializou, neste domingo (31), a concessão de liberdade provisória a Pablo Henrique Farias da Silva, motorista que estava detido em flagrante após se envolver em um trágico atropelamento na Avenida Augusto Montenegro, em Belém. O acidente, ocorrido na madrugada da última sexta-feira (29), resultou na morte de três torcedores do Clube do Remo e deixou outras três pessoas feridas. A decisão judicial estabeleceu o pagamento de uma fiança estipulada em R$ 81.050,00, valor correspondente a 50 salários mínimos, como condição para a expedição do alvará de soltura. Além do montante financeiro, o magistrado determinou a suspensão imediata da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do condutor e a aplicação de medidas cautelares rigorosas.
O caso carrega um contexto de extrema tensão entre torcidas organizadas na capital paraense. Pablo Henrique foi autuado pela Polícia Civil por homicídio culposo no trânsito e lesão corporal dolosa. De acordo com os registros iniciais da investigação, o atropelamento aconteceu nas proximidades do conjunto Jardim Sevilha, no bairro Parque Verde, após uma suposta perseguição na via pública. No momento da prisão, o suspeito vestia uma camisa da "Terror Bicolor", uma torcida vinculada ao Paysandu que, embora continue presente no imaginário e nas arquibancadas de forma informal, está oficialmente extinta por decisão judicial desde 2007. As vítimas, por sua vez, eram integrantes de uma torcida organizada do Remo, sugerindo que o episódio possa ter motivações ligadas à histórica rivalidade entre os dois maiores clubes do estado.
A decisão de conceder a liberdade provisória foi pautada por questões técnicas do Código de Processo Penal (CPP). O juiz Heyder Tavares da Silva Ferreira, titular da Vara de Juiz das Garantias da Região Metropolitana de Belém, fundamentou que a prisão preventiva — que não tem prazo determinado — exige, por lei, que o crime seja tipificado como doloso (quando há intenção de matar). Como o indiciamento inicial feito pela autoridade policial foi de homicídio culposo (sem intenção), o magistrado entendeu que os requisitos legais para manter a custódia fechada não foram preenchidos neste momento processual. O magistrado destacou que essa análise é estritamente cautelar e que o Ministério Público, como titular da ação penal, poderá reavaliar a tipificação do crime conforme o avançar das investigações.
As vítimas fatais foram identificadas como Elder Martins Santos, Ruan Garcia Batista e Jonatan Mateus Maciel. Os dois primeiros faleceram ainda no local do impacto, devido à gravidade das colisões. Jonatan chegou a ser levado consciente a uma unidade hospitalar, mas seu quadro clínico agravou-se, culminando no óbito. Outras três pessoas permanecem sob cuidados médicos no Hospital Metropolitano, mas a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) mantém o sigilo sobre o estado de saúde detalhado dos sobreviventes. O impacto emocional na comunidade esportiva local tem sido profundo, especialmente por o incidente ter ocorrido logo após o Paysandu conquistar o título da Copa Norte em Manaus, um período que deveria ser de celebração esportiva, mas que terminou em luto nas ruas de Belém.
Para o leitor brasileiro, este caso levanta novamente o debate sobre a impunidade em crimes de trânsito e a eficácia da legislação atual em separar acidentes casuais de tragédias provocadas pela combinação de álcool e direção. Segundo os autos, há indícios de que o motorista estaria sob influência de bebidas alcoólicas no momento da ocorrência. A liberdade concedida mediante fiança, embora prevista em lei para crimes culposos sob certas condições, costuma gerar forte indignação popular, especialmente em casos com múltiplas vítimas. O desdobramento agora depende da conclusão do inquérito policial e do parecer do Ministério Público, que decidirá se denunciará Pablo Henrique por homicídio doloso (assunção do risco), o que poderia mudar drasticamente o curso do processo e levar o caso a júri popular.
O monitoramento das próximas etapas judiciais é crucial para entender como as autoridades paraenses lidarão com o agravante da violência entre torcidas. A suspensão da CNH e a proibição de frequentar determinados locais são medidas que visam garantir a ordem pública enquanto o processo transita. Entretanto, a sociedade civil e os familiares das vítimas aguardam por respostas mais definitivas sobre as circunstâncias da perseguição relatada pelas testemunhas. O Portal 360 Notícia continuará acompanhando a liberação do suspeito e as atualizações sobre o estado de saúde dos feridos, bem como eventuais manifestações das defesas jurídicas e das diretorias dos clubes envolvidos.






