Justiça: Família morta em chacina no Paraná foi assassinada por engano
Investigação da Polícia Civil revela que vítimas não tinham relação com o tráfico e foram atingidas após atirador confundir alvos em Sarandi.

A Polícia Civil do Paraná concluiu que a família morta em um bar em Sarandi foi vítima de um erro trágico. O mandante do crime foi preso durante a Operação Leviatã, enquanto o atirador, que teria se equivocado ao identificar os alvos em uma disputa por tráfico, continua foragido.
Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) trouxe um desfecho chocante e doloroso para a tragédia que abalou a cidade de Sarandi, na região norte do estado. De acordo com as autoridades, as três pessoas da mesma família assassinadas a tiros em um bar no dia 22 de maio foram mortas por engano. O crime, que inicialmente parecia um ataque direcionado, revelou-se um erro fatal cometido por criminosos envolvidos em disputas territoriais severas ligadas ao tráfico de entorpecentes na região. A conclusão do inquérito aponta que as vítimas não tinham qualquer envolvimento com atividades ilícitas e foram alvos de uma confusão trágica por parte do executor.
A elucidação do caso ganhou força com a deflagração da "Operação Leviatã", que resultou na prisão de Gabriel Vitor Surany, de 25 anos, apontado como o mandante intelectual da chacina. Gabriel foi localizado em um estabelecimento comercial no último sábado (30). Além da acusação de homicídio qualificado, ele foi autuado em flagrante por tráfico de drogas, uma vez que as equipes policiais encontraram um arsenal de substâncias entorpecentes em endereços ligados a ele. Foram apreendidos mais de 11 quilos de maconha, um quilo de cocaína e aproximadamente 3 mil comprimidos de ecstasy, reforçando a tese de que o crime foi motivado pela guerra por pontos de venda de drogas na cidade.
As vítimas foram identificadas como Jéssica de Jesus Hass, de 32 anos; seu marido, Rafael Moreira do Amaral, de 37 anos; e o primo de Rafael, Matheus Souza do Amaral, um adolescente de apenas 15 anos. O casal morreu ainda no local do atentado, enquanto o jovem Matheus, que era filho do proprietário do bar, chegou a ser socorrido pelo SAMU e levado ao Hospital Universitário de Maringá, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. A Polícia Militar confirmou que nenhum dos três possuía antecedentes criminais, o que corrobora a tese de que eram cidadãos trabalhadores que estavam no lugar errado no momento de um ataque planejado contra rivais do crime organizado.
O executor dos disparos foi identificado como Jhonatan Sales dos Santos, de 32 anos. Segundo as investigações, ele teria se equivocado ao identificar os alvos dentro do bar situado no Jardim Verão. Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que o atirador desce de um veículo e abre fogo contra as pessoas sentadas à frente do estabelecimento. Jhonatan segue foragido, e as forças de segurança continuam as buscas para localizá-lo. Outro envolvido, Paulo Rogério Aparecido Surany, de 36 anos, já havia sido preso preventivamente na última quarta-feira (27), sob a acusação de ter prestado apoio logístico, servindo como motorista para levar o atirador até a cena do crime.
Para o leitor brasileiro, este caso levanta um alerta sobre a crescente violência em cidades de médio porte e como conflitos entre facções criminosas colocam em risco a vida de inocentes. O delegado José Pacheco, responsável pelo caso, classificou a operação como uma resposta firme do Estado à comunidade. De acordo com Pacheco, a solução do crime traz um alento à memória das vítimas, mas o trabalho só estará concluído com a captura do atirador foragido. O processo agora segue para a fase judicial, onde os presos responderão por múltiplos homicídios qualificados, além dos crimes correlatos ao tráfico, que servem de pano de fundo para a insegurança pública sentida em diversas regiões paranaenses.






