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Justiça e Infância: O debate europeu sobre a redução da maioridade penal

Suécia considera reduzir idade de responsabilidade para 13 anos após escalada de crimes graves envolvendo pré-adolescentes aliciados por gangues.

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Redação 360 Notícia
5 de junho de 2026 às 13:003 min
Justiça e Infância: O debate europeu sobre a redução da maioridade penal
Foto: Reprodução
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A Suécia propõe reduzir a maioridade penal para 13 anos em meio ao aumento da criminalidade juvenil e o aliciamento por gangues. Especialistas alertam para o fracasso de medidas similares em países vizinhos e a complexidade de punir menores sem focar na ressocialização.

O cenário da segurança pública na Europa enfrenta um desafio crescente que reverbera diretamente em debates legislativos: o aumento do envolvimento de crianças e adolescentes com redes criminosas estruturadas. Na Suécia, a situação atingiu um ponto crítico, com jovens de 13 e 14 anos sendo recrutados por gangues para a execução de delitos graves, incluindo assassinatos e ataques com explosivos. Esse fenômeno expôs uma lacuna no sistema jurídico sueco, onde a idade de responsabilidade penal é fixada em 15 anos. Atualmente, menores dessa faixa etária não enfrentam julgamentos tradicionais, ficando sob a tutela exclusiva de serviços de assistência social, o que é visto por recrutadores do crime organizado como uma oportunidade estratégica para manter a impunidade dos mandantes.

Para conter o avanço dessas organizações e a cooptação de menores, o governo da Suécia propôs medidas drásticas que representam uma guinada histórica em sua tradição jurídica. Recentemente, o Parlamento sueco aprovou que adolescentes entre 15 e 17 anos condenados por crimes violentos cumpram penas em centros de detenção juvenil adaptados para alta periculosidade. Mais alarmante ainda é o plano experimental de reduzir a maioridade penal para 13 anos em casos de crimes hediondos, como homicídios e grandes atentados. A proposta, que deve ser votada em meados de junho, prevê um período de teste de cinco anos para avaliar se o endurecimento das penas servirá como mecanismo de dissuasão eficaz ou se terá efeitos colaterais indesejados no sistema de ressocialização.

O endurecimento das leis na Suécia ignora, em certa medida, as lições aprendidas pela vizinha Dinamarca. Em 2010, os dinamarqueses reduziram a maioridade de 15 para 14 anos, mas a experiência foi considerada um fracasso e revertida apenas dois anos depois. Estudos subsequentes indicaram que a criminalização precoce não apenas falhou em reduzir a violência, como aumentou os índices de reincidência entre os jovens afetados e prejudicou seriamente seu desempenho escolar e integração social. O exemplo dinamarquês serve hoje como um alerta para especialistas que argumentam que o contato prematuro com o sistema prisional pode consolidar a identidade criminosa do menor, em vez de afastá-lo da delinquência.

Apesar da tendência sueca, a União Europeia apresenta um mosaico de abordagens distintas. Holanda e Irlanda mantêm alguns dos limites mais baixos do continente, permitindo que crianças de 12 anos sejam processadas. Em solo irlandês, a lei abre exceções para crimes gravíssimos, como estupro e homicídio, permitindo a responsabilização até de crianças de 10 anos. Contudo, essa severidade jurídica é acompanhada de limites rígidos de tempo de detenção e uma prioridade absoluta em programas educativos e psicológicos, tentando equilibrar a punição com o desenvolvimento do menor. Por outro lado, países como Alemanha e Espanha mantêm a idade mínima de 14 anos, tratando infrações de crianças mais novas não como crimes, mas como sinais de vulnerabilidade social que exigem a intervenção protetiva do Estado, e não penas de reclusão puramente punitivas.

A ciência do desenvolvimento humano corrobora a cautela de diversos juristas europeus. Estudos apontam que pré-adolescentes possuem um sistema de controle de impulsos ainda em formação, sendo altamente suscetíveis à pressão de grupos e à busca por validação emocional imediata. Para um jovem cooptado por uma gangue, o status e o ganho financeiro imediato pesam mais do que a ameaça abstrata de uma prisão futura. Além disso, há o receio de que as gangues simplesmente adaptem suas táticas, passando a recrutar crianças de 10 ou 11 anos caso a maioridade seja reduzida para 13. O debate europeu sugere que a solução de longo prazo exige não apenas punição, mas a capacidade do Estado de neutralizar os adultos que operam as redes criminosas e oferecer alternativas reais de pertencimento para a juventude em risco.

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