Justiça condena criminoso a 21 anos por execução de jovem diante do pai em Boa Vista
O crime, motivado por dívidas com o tráfico de drogas, ocorreu no bairro Dr. Silvio Botelho e incluiu furtos e monitoramento da vítima.

Um homem de 29 anos recebeu sentença de mais de 21 anos de prisão pelo assassinato de Dihoberth Martinez em Boa Vista. O crime, registrado em 2025, foi motivado por dívidas com o tráfico e ocorreu na frente do pai da vítima. O réu também foi condenado por furto e porte de arma.
O Poder Judiciário de Roraima proferiu, nesta terça-feira (4), a sentença que condena um homem de 29 anos a uma pena de 21 anos, cinco meses e 19 dias de reclusão em regime inicialmente fechado. O réu foi considerado culpado pelo assassinato de Dihoberth Ramirez Martinez, um jovem de 21 anos, em um crime que chocou a capital Boa Vista pela frieza da execução, realizada diante do pai da vítima. Além do homicídio qualificado, o magistrado incluiu na condenação os crimes de furto qualificado e porte ilegal de arma de fogo, consolidando uma resposta estatal rigorosa contra a violência ligada a organizações criminosas na região Norte do país.
O fatídico episódio ocorreu no dia 18 de março de 2025, em uma vila de apartamentos situada no bairro Dr. Silvio Botelho, na zona Oeste da cidade. De acordo com os autos do processo e as investigações conduzidas pela Delegacia-Geral de Homicídios (DGH), o crime foi meticulosamente planejado. O condenado e outros dois comparsas, de 24 e 29 anos, realizaram um monitoramento prévio da rotina de Dihoberth e de seus familiares, circulando diversas vezes em frente ao imóvel para garantir que o alvo não tivesse chance de escapar. A vigilância culminou na invasão da residência, onde os criminosos, portando armas de fogo e utilizando uma motocicleta para a locomoção, chamaram pela vítima antes de iniciar a sequência de disparos que resultou em sua morte imediata.
As motivações por trás do assassinato estão intrinsecamente ligadas ao submundo do tráfico de entorpecentes. Conforme apurado pela Polícia Civil de Roraima (PCRR), a ordem para a execução partiu de uma facção criminosa que atua na capital, motivada por uma suposta dívida acumulada por Dihoberth na aquisição de drogas nos bairros Bela Vista e Raiar do Sol. Este cenário reflete uma realidade preocupante que atinge diversas cidades brasileiras, onde as cobranças de dívidas do tráfico frequentemente transbordam para execuções sumárias, servindo como uma forma de controle territorial e intimidação por parte de grupos organizados contra aqueles que descumprem seus códigos internos.
A prisão do agora condenado ocorreu apenas dois meses após o crime, em maio de 2025, no âmbito da "Operação Los Flacos". A ação foi um esforço conjunto entre a Polícia Civil, a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e a Polícia Militar de Roraima, visando desarticular células de pistolagem e tráfico na periferia de Boa Vista. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os agentes localizaram na residência do suspeito uma pistola de calibre .380, arma que reforçou as evidências técnicas produzidas durante a instrução processual. A fuga após o homicídio também evidenciou o desrespeito dos criminosos pelas normas legais: ao deixarem a cena do crime, eles furtaram uma motocicleta que estava estacionada nas proximidades com a chave na ignição, o que resultou na agravante de furto presente na sentença.
Para a sociedade civil e os órgãos de segurança, a condenação representa um marco importante no combate à impunidade em Roraima, estado que tem enfrentado níveis crescentes de violência urbana nos últimos anos. A punição rigorosa serve como uma tentativa de dissuasão contra novos crimes cometidos sob o comando de facções. Além da privação de liberdade, a Justiça determinou o pagamento de multas pecuniárias pelos delitos cometidos. Enquanto o condenado inicia o cumprimento da pena em regime fechado, as autoridades continuam monitorando a atividade de grupos criminosos na região para evitar que novos confrontos por acerto de contas victimizem jovens em comunidades vulneráveis, mantendo o foco na segurança pública e na preservação da vida.





