Economia

Jovens priorizam crescimento e saúde mental ao escolher emprego, aponta pesquisa do CIEE

Levantamento do CIEE indica que 54% dos profissionais entre 14 e 24 anos valorizam a evolução na carreira acima da remuneração e dos benefícios.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 08:003 min
Jovens priorizam crescimento e saúde mental ao escolher emprego, aponta pesquisa do CIEE
Foto: Reprodução
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Pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e CIEE revela que 54% dos jovens brasileiros priorizam oportunidades de crescimento sobre o salário. O estudo destaca a importância da saúde mental e do alinhamento de valores éticos para a nova geração no mercado de trabalho.

Uma nova configuração nas aspirações da juventude brasileira está redesenhando as estratégias de retenção de talentos no mercado corporativo. Segundo um levantamento inédito realizado pelo Instituto Locomotiva, a pedido do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), os jovens entre 14 e 24 anos estão priorizando a perspectiva de evolução na carreira em detrimento do retorno financeiro imediato. A pesquisa, que ouviu quase 9 mil participantes em todas as regiões do Brasil, aponta que 54% dos entrevistados colocam a oportunidade de crescimento profissional como o fator decisivo para aceitar uma vaga. Esse dado sinaliza que, para a chamada Geração Z e os recém-chegados da Geração Alfa, o trabalho é visto como um projeto de desenvolvimento contínuo, e não apenas como um meio de subsistência financeira.

O cenário revelado pelo estudo contradiz a visão tradicional de que o salário seria o único e principal motor da força de trabalho juvenil. Embora a remuneração e os benefícios ainda ocupem um lugar de destaque — sendo citados por 43% dos jovens —, eles perdem espaço para o desejo de construir uma trajetória sólida. O levantamento destaca que o ambiente de trabalho agradável (31%) e a reputação da empresa no mercado (24%) são componentes que pesam significativamente na balança. O contexto em que esses jovens estão inseridos, marcado por uma rápida digitalização e mudanças constantes nas competências exigidas, faz com que eles busquem corporações que ofereçam treinamentos, mentorias e planos de carreira claros, evitando estagnação prematura.

Um dos pontos mais sensíveis da pesquisa diz respeito ao bem-estar psicológico. Impressionantes 98% dos participantes afirmaram que é fundamental trabalhar em organizações que possuam políticas claras de valorização da saúde mental. Desse total, 93% demonstram uma concordância absoluta sobre o tema, indicando que o estresse excessivo e o assédio moral são barreiras intransponíveis para essa geração. Para o leitor brasileiro, isso reflete um amadurecimento do debate sobre o "burnout" e a qualidade de vida, temas que ganharam força absoluta no pós-pandemia. O jovem atual não está disposto a sacrificar sua estabilidade emocional em troca de um contracheque, exigindo das empresas uma postura mais humanizada e empática.

Além da saúde mental, a ética e o propósito corporativo tornaram-se critérios de exclusão. Sete em cada dez jovens entrevistados declararam que não aceitariam trabalhar em empresas cujos valores não estivessem alinhados com suas crenças pessoais. Essa busca por propósito redefine a relação entre patrão e empregado, transformando-a em uma parceria baseada em princípios compartilhados. Um dado curioso é que a flexibilidade, muitas vezes apontada como a maior demanda moderna, empatou com a proximidade física de casa (20% cada), ficando atrás até mesmo da tradição da empresa. Isso sugere que, para quem está começando, o contato presencial e a estrutura física da companhia ainda são vistos como fundamentais para o aprendizado e a socialização profissional.

Por fim, a pesquisa ressalta a importância social que a juventude atribui ao setor privado. Para 98% dos ouvidos, as empresas que oferecem vagas para jovens profissionais estão diretamente contribuindo para o progresso do Brasil. O superintendente institucional do CIEE, Rodrigo Dib, enfatiza que essa geração está muito atenta à compatibilidade entre os objetivos da empresa e seus próprios planos de vida. No longo prazo, espera-se que essa mudança de mentalidade force o mercado brasileiro a uma modernização profunda, onde a transparência e a valorização do capital humano deixem de ser um discurso de marketing para se tornarem a regra das relações trabalhistas. Empresas que ignorarem essas demandas tendem a enfrentar sérias dificuldades para preencher seus quadros nos próximos anos.

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