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Jovem é resgatada de cárcere privado no DF após travessia por quatro estados com namorado

Vítima foi mantida refém por 24 dias após viagem ao Paraguai; agressor foi detido após tentar fugir por área de mata no DF.

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Redação 360 Notícia
1 de junho de 2026 às 00:003 min
Jovem é resgatada de cárcere privado no DF após travessia por quatro estados com namorado
Foto: Reprodução
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Uma jovem de 25 anos foi resgatada pela PCDF em Taguatinga após 24 dias de cárcere privado. O namorado, de 19 anos, manteve a vítima sob ameaças após perder dinheiro em cassinos no Paraguai. O resgate ocorreu após um pedido de ajuda em um Centro POP.

Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), conduzida pela 17ª Delegacia de Polícia de Taguatinga, resultou no resgate de uma jovem de 25 anos que vivia um pesadelo há quase um mês. A vítima era mantida em cárcere privado por seu namorado, um jovem de 19 anos, sob constantes agressões físicas e ameaças de morte direcionadas a ela e aos seus familiares. O desfecho do caso ocorreu no último domingo, 31 de maio, após um pedido de socorro desesperado feito pela mulher em uma unidade de assistência social na região administrativa de Taguatinga. O suspeito, que possui um histórico criminal prévio, foi preso em flagrante após uma tentativa frustrada de fuga pelas matas locais.

O enredo criminoso teve início em Campinas, no interior de São Paulo, onde o casal se conheceu e iniciou o relacionamento. No começo do mês de abril, ambos decidiram realizar uma viagem de turismo ao Paraguai. No entanto, o que deveria ser um momento de lazer transformou-se em tragédia quando o homem perdeu todo o patrimônio financeiro do casal em cassinos no país vizinho. Sem recursos para subsistência ou para o retorno, ambos passaram a viver em situação de rua. Foi nesse cenário de vulnerabilidade que a violência escalou: ao tentar se desvencilhar da situação e retornar para sua cidade de origem, a jovem passou a ser impedida pelo companheiro, que utilizava da força física e do terror psicológico para mantê-la sob seu domínio absoluto.

Durante cerca de 24 dias, o agressor e a vítima percorreram uma rota de privações que atravessou diversos estados brasileiros, incluindo Paraná, São Paulo e Goiás, até chegarem ao Distrito Federal. Segundo as investigações coordenadas pelo delegado Thiago Boeing, a dinâmica do cárcere era mantida através de um isolamento rigoroso, impedindo que a mulher tivesse qualquer contato externo ou acesso a meios de comunicação. No estado de São Paulo, a família da jovem, aflita pela falta de notícias e pelo desaparecimento repentino, já havia registrado um boletim de ocorrência, dando início a uma busca interestadual que culminou inesperadamente em Brasília.

A liberdade da vítima só foi possível após uma falha no controle exercido pelo agressor. Ao buscarem atendimento no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) de Taguatinga, o homem se envolveu em um incidente com a equipe de segurança do local e acabou sendo retirado do recinto. Aproveitando-se dos poucos minutos de ausência do captor, a jovem revelou sua situação real aos servidores da unidade, que prontamente acionaram as autoridades policiais. Ao retornar ao local para buscar a namorada, o suspeito percebeu a movimentação da PCDF e tentou escapar correndo para uma área de vegetação densa, mas foi cercado e capturado pelos agentes da 17ª DP.

A ficha criminal do suspeito já apontava para um perfil violento, com registros anteriores em Goiás por lesão corporal e porte ilegal de arma de fogo. Desta vez, ele foi autuado por crimes graves, incluindo cárcere privado no âmbito da Lei Maria da Penha, violência psicológica e resistência à prisão. O caso acende um alerta sobre a rapidez com que relacionamentos podem evoluir para situações de dependência extrema e violência, especialmente quando as vítimas são retiradas de seus círculos sociais de apoio. A vítima recebeu assistência multidisciplinar no DF e sua família já coordenou os trâmites para que ela retornasse em segurança para sua residência em São Paulo. O processo agora segue para o Judiciário, onde o detido aguardará o julgamento pelas violações cometidas ao longo da jornada criminosa entre estados.

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