Jiboia de 1,5 metro surge em posto de combustível e mobiliza bombeiros em Mato Grosso
O réptil, que chegou ao local "pegando carona" em um veículo de carga, foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros e devolvido à natureza no interior de Mato Grosso.

Uma jiboia de 1,5 metro mobilizou o Corpo de Bombeiros em Lucas do Rio Verde (MT) após descer de um caminhão em um posto de combustível. O animal foi resgatado e devolvido à natureza, acendendo o alerta para o manejo correto de animais silvestres em áreas urbanas.
Um episódio inusitado mobilizou as equipes de emergência e atraiu a atenção de populares na manhã desta quarta-feira (3), no município de Lucas do Rio Verde, localizado a aproximadamente 332 km da capital Cuiabá. Uma serpente da espécie jiboia, medindo cerca de 1,5 metro de comprimento, surgiu no estacionamento de um posto de combustíveis, causando apreensão entre clientes e funcionários que transitavam pelo local. O animal, segundo relatos de testemunhas colhidos pelos militares, teria "desembarcado" de um caminhão que estava estacionado no estabelecimento, indicando que a cobra pode ter percorrido uma distância considerável de forma clandestina no compartimento ou no chassi do veículo de carga antes de decidir descer.
O acionamento da 13ª Companhia Independente Bombeiro Militar (13ª CIBM) ocorreu por volta das 9h, quando a presença da serpente começou a gerar aglomeração e preocupação. Ao chegarem ao posto, os bombeiros localizaram o réptil circulando livremente pela área de pátio. Incidentes desse tipo são recorrentes em regiões vizinhas a áreas de preservação ou em estradas que cortam o bioma mato-grossense, onde animais silvestres frequentemente buscam abrigo em veículos para regulação térmica ou por estarem em busca de presas. A jiboia, apesar de sua imponência, apresentava um comportamento compatível com o estresse do ambiente urbano movimentado, mas os especialistas conseguiram realizar a contenção sem maiores dificuldades operacionais.
Após a captura técnica, realizada com o uso de pinças e equipamentos de proteção individual para garantir a integridade do animal e dos agentes, a equipe constatou que a jiboia estava em perfeitas condições de saúde, sem ferimentos aparentes ou sinais de desidratação. Por se tratar de um espécime saudável, o protocolo padrão de manejo de fauna silvestre foi aplicado imediatamente. A cobra foi transportada para uma área de reserva ambiental protegida, distante do perímetro urbano de Lucas do Rio Verde, onde foi reintegrada ao seu habitat originário, garantindo que o ciclo ecológico não fosse interrompido e que os riscos de novos contatos com humanos naquela região fossem minimizados.
Embora o susto tenha sido significativo para quem presenciou a cena, vale destacar que a jiboia (Boa constrictor) não possui glândulas de veneno, de acordo com as especificações técnicas do Instituto Butantan. Sua estratégia de caça é baseada na técnica de constrição, na qual ela se enrola em suas presas — geralmente pequenos mamíferos, aves e lagartos — impedindo o fluxo sanguíneo e a respiração até a morte do alvo. Outra característica notável que costuma assustar os leigos é o chamado "bafo da jiboia", um som sibilante produzido pelo animal quando se sente ameaçado. Especialistas reforçam que esse ruído é meramente defensivo e não possui qualquer potencial tóxico, servindo apenas como um alerta visual e sonoro para afastar predadores ou invasores de seu território.
O aumento de aparições de animais silvestres em áreas urbanas de Mato Grosso tem acendido um alerta para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e para os órgãos de segurança pública. A orientação técnica é enfática: ao avistar qualquer espécime de fauna selvagem, como cobras, onças ou jacarés, a população jamais deve tentar a captura por conta própria. Esse tipo de interação aumenta exponencialmente o risco de acidentes e pode ferir o animal. O procedimento correto é manter a distância, monitorar o paradeiro do animal visualmente e acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros através do 193 ou a Polícia Militar Ambiental. O caso em Lucas do Rio Verde termina de forma positiva, reforçando a importância do trabalho de resgate especializado para a convivência equilibrada entre o desenvolvimento urbano e a rica biodiversidade do estado.






