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Itapema avança com obra de alargamento de praia para proteger orla valorizada

Com investimento de R$ 60 milhões, Itapema planeja ampliar faixa de areia em até 60 metros para combater o avanço do mar e proteger imóveis de alto luxo.

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Redação 360 Notícia
31 de maio de 2026 às 10:003 min
Itapema avança com obra de alargamento de praia para proteger orla valorizada
Foto: Reprodução
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Itapema, dona do segundo metro quadrado mais caro do país, inicia projeto de R$ 60 milhões para alargar a faixa de areia da Meia Praia e conter a erosão marítima que ameaça a orla. No total, serão 4,6 quilômetros de intervenção para garantir a segurança e o turismo local.

A cidade de Itapema, localizada no Litoral Norte de Santa Catarina, prepara-se para uma intervenção urbana e ambiental de grande porte com o objetivo de reverter os danos causados pelo avanço da maré. O projeto de alargamento artificial da faixa de areia no bairro Meia Praia recebeu um impulso decisivo com a entrega da Licença Ambiental de Instalação pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). O objetivo central da obra é conter a erosão marítima acentuada que ameaça a infraestrutura urbana em uma das áreas mais cobiçadas do mercado imobiliário nacional. A intervenção abrangerá uma extensão de 4,6 quilômetros, buscando devolver à orla uma largura que garanta tanto a proteção das edificações quanto o lazer dos frequentadores.

O fenômeno da erosão em Itapema não é um caso isolado, mas faz parte de um contexto regional onde a pressão do desenvolvimento urbano e as mudanças climáticas têm alterado a dinâmica das marés. Historicamente, a Meia Praia sofre com a redução do espaço de areia, o que em períodos de ressaca provoca danos ao calçadão e às estruturas públicas. A decisão de seguir com o alargamento, técnica tecnicamente conhecida como engordamento de praia, baseia-se em experiências bem-sucedidas em cidades vizinhas, como Balneário Camboriú. Para as autoridades estaduais e municipais, a medida é considerada vital para garantir a resiliência costeira frente a eventos climáticos extremos, que se tornaram mais frequentes e severos nos últimos anos no sul do país.

Os detalhes técnicos do projeto revelam a magnitude do desafio logístico e financeiro. Estima-se um investimento total de aproximadamente R$ 60 milhões, montante que será dividido entre a administração municipal e o governo do estado de Santa Catarina. Para realizar a obra, serão necessários cerca de 416 mil metros cúbicos de sedimentos. Esta areia não será retirada de qualquer local, mas sim coletada em uma jazida submarina localizada a cerca de 19 quilômetros de distância da costa. Dependendo da análise técnica de cada trecho específico, a largura da faixa de areia será ampliada entre 20 e 60 metros, criando uma barreira física mais eficiente contra as ondas e proporcionando mais espaço útil.

A relevância do projeto ganha contornos econômicos significativos quando se observa o perfil imobiliário de Itapema. De acordo com dados recentes do Índice FipeZAP, a cidade detém o segundo metro quadrado mais caro do Brasil para venda residencial, avaliado em R$ 15.179. A diferença para a primeira colocada, Balneário Camboriú, é de apenas seis reais. Manter a valorização desses ativos depende diretamente da preservação da qualidade ambiental e da segurança da orla. Uma praia inexistente ou degradada por ressacas constantes desvalorizaria o patrimônio de investidores e moradores, além de impactar o turismo, motor fundamental da economia local que sustenta o comércio e os serviços em todos os níveis.

Com o cronograma definido, a expectativa é que os trabalhos operacionais comecem efetivamente no mês de agosto, com uma duração estimada de quatro meses. Antes do início da dragagem, a prefeitura deve finalizar estudos complementares e estabelecer os protocolos de segurança e trânsito para a execução da obra. O desdobramento esperado é que, ao final do processo, a Meia Praia apresente uma nova configuração capaz de suportar o impacto das marés altas por décadas. Para o leitor brasileiro e, especificamente, para os investidores do setor imobiliário, a obra em Itapema serve como um termômetro de como as cidades litorâneas estão se adaptando às novas realidades ambientais para proteger seu valor econômico e social.

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