Notícias

iFood lança entregas por drone em São Paulo para otimizar logística em Barueri

Companhia inicia voos operacionais em Barueri para reduzir tempo de espera e enfrentar dificuldades de acesso em condomínios de Alphaville.

Por
Redação 360 Notícia
1 de junho de 2026 às 19:003 min
iFood lança entregas por drone em São Paulo para otimizar logística em Barueri
Foto: Reprodução
Compartilhar

O iFood expande suas operações de delivery por drone para o estado de São Paulo, focando na região de Barueri. A nova rota aérea visa reduzir em até 50% as taxas de rejeição de pedidos em condomínios de Alphaville, otimizando o tempo de entrega e a logística urbana.

O cenário das entregas de alimentos no Brasil acaba de ganhar um novo capítulo com o anúncio oficial feito pelo iFood sobre a expansão do uso de drones em suas operações logísticas. A partir desta segunda-feira (1º), a gigante do delivery iniciou a utilização de aeronaves não tripuladas para otimizar o transporte de pedidos realizados no estado de São Paulo. Esta fase inicial do projeto está concentrada na região de Barueri, atendendo especificamente ao fluxo de pedidos que partem do Shopping Iguatemi Alphaville com destino a condomínios residenciais de alto padrão nas proximidades. A operação, planejada para ocorrer diariamente em uma janela que vai das 10h30 às 22h30, representa uma aposta significativa da empresa na automação para vencer gargalos urbanos complexos.

Para entender a relevância deste movimento, é necessário analisar as dificuldades logísticas das cidades satélites da Região Metropolitana de São Paulo. Em Barueri, e especialmente na região de Alphaville, a verticalização e o rigor na segurança dos condomínios criam um ambiente desafiador para os entregadores tradicionais. Segundo dados divulgados pela própria companhia, cerca de 50% das solicitações de entrega na área eram anteriormente recusadas pelos motoboys. O motivo principal reside no tempo excessivo de espera nas portarias e na complexidade de acesso às residências, o que tornava a corrida financeiramente desinteressante para os parceiros. A introdução do drone surge como um mediador capaz de realizar o trecho mais demorado do trajeto em uma fração do tempo original.

O fluxo operacional desenhado pelo iFood combina tecnologia robótica, aviação e força de trabalho humana. Quando um cliente faz um pedido via aplicativo, a coleta no restaurante do shopping pode ser realizada por um colaborador humano ou pela robô autônoma de solo que a empresa já utiliza em ambientes controlados. O pacote é então acomodado no drone, que percorre um trajeto aéreo de aproximadamente 3,6 quilômetros. Esse percurso é concluído em apenas cinco minutos, evitando semáforos, congestionamentos e retornos complexos. Ao chegar no condomínio de destino, a aeronave pousa em uma área específica e segura, o "droneporto", onde um entregador parceiro retira a encomenda e realiza a chamada "última milha", levando o produto até a porta do consumidor.

Esta não é a primeira incursão do iFood nos céus brasileiros. A empresa já acumula experiência com uma rota pioneira estabelecida em 2021 no Sergipe, conectando as cidades de Aracaju e Barra dos Coqueiros. Naquela região, a eficiência do modal aéreo foi comprovada por números expressivos: mais de 5 mil pedidos foram atendidos por drones, transformando um percurso terrestre de 36 quilômetros (que exigia contornar vias expressas ou atravessar pontes congestionadas) em um voo direto de menos de 4 quilômetros. O sucesso da operação no Nordeste serviu como base técnica e regulatória para que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) permitisse a expansão para mercados mais densos e exigentes, como o de São Paulo.

A consolidação do delivery por drone no Brasil traz implicações profundas para o futuro do trabalho e da mobilidade urbana. Para o consumidor, a promessa é de comida mais quente e prazos de entrega mais previsíveis. Para o meio ambiente, a redução do uso de motocicletas a combustão em trajetos curtos pode representar um alívio na emissão de poluentes e na poluição sonora das grandes metrópoles. Do ponto de vista corporativo, o iFood sinaliza que a tecnologia não visa substituir o entregador, mas sim atuar como uma ferramenta de suporte para tornar as rotas mais atraentes e menos exaustivas, focando o esforço humano na entrega final enquanto a tecnologia cuida do deslocamento bruto de carga entre pontos estratégicos.

O que se espera para os próximos passos é uma observação rigorosa da viabilidade econômica e da segurança operacional em Barueri antes de uma possível capilarização para outros bairros da capital paulista e cidades vizinhas. O sucesso deste modelo em São Paulo, um dos maiores mercados de delivery do mundo, poderá acelerar a regulamentação do setor e incentivar outras empresas de tecnologia a investirem em frotas aéreas autônomas. Além disso, o iFood deve monitorar de perto a aceitação pública e o impacto na remuneração dos entregadores, garantindo que a inovação tecnológica caminhe junto com a sustentabilidade do ecossistema de parceiros que sustenta a plataforma.

#iFood#drone#delivery#tecnologia#Barueri#logística#inovação#entregas aéreas

Leia também