Ibaneis Rocha deseja recuperação a Celina Leão em meio a crise política no Distrito Federal
Apesar de rompimento recente, ex-governador postou mensagem de apoio após internação de Celina Leão por pneumotórax.

Ibaneis Rocha (MDB) enviou mensagem de apoio a Celina Leão (PP) após internação por pneumotórax. O gesto ocorre poucos dias depois do rompimento político público entre os ex-aliados, marcado por acusações sobre a gestão do Banco de Brasília e crises orçamentárias no DF.
Em um gesto que chamou a atenção no cenário político da capital federal, o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) utilizou suas redes sociais na manhã deste domingo (31) para desejar uma pronta recuperação à atual governadora em exercício, Celina Leão (PP). O movimento ocorre em um momento de fragilidade física da gestora, que foi internada às pressas no último sábado para tratar um quadro de pneumotórax. Ibaneis, em tom conciliador que destoa do clima recente de beligerância entre as duas lideranças, enfatizou a força e a determinação de sua antiga aliada, afirmando que "Brasília precisa" dela para seguir adiante. A mensagem enviada diretamente a Celina reflete uma tentativa de separar as divergências administrativas e políticas do campo humano e pessoal.
A situação clínica de Celina Leão gerou apreensão no Palácio do Buriti. A governadora começou a sentir fortes dores na região do peito acompanhadas de falta de ar severa, o que motivou a busca imediata por atendimento médico em um hospital da capital. Após diagnósticos detalhados, os médicos confirmaram a presença de ar acumulado no tórax, condição conhecida como pneumotórax. Diante do quadro, Celina precisou ser submetida a um procedimento cirúrgico para a drenagem desse ar. Atualmente, ela segue em repouso absoluto no quarto, e embora não haja uma data definitiva para o retorno às atividades oficiais, a equipe médica estima que o período crítico de estabilização deve durar pelo menos 48 horas, desde que não surjam novas complicações.
Este episódio de saúde ocorre apenas onze dias após o rompimento público e estrondoso entre Ibaneis Rocha e Celina Leão, que outrora formavam o núcleo duro do poder no Distrito Federal. No último dia 20 de maio, a aliança foi estilhaçada quando Ibaneis divulgou um vídeo contundente nas redes sociais, expressando "muitas decepções" com a condução do governo sob a tutela de sua sucessora. Naquela oportunidade, o emedebista defendeu abertamente um "realinhamento" nas estratégias políticas locais, sinalizando que a parceria que garantiu vitórias eleitorais anteriores havia chegado ao fim devido a discordâncias na gestão de pastas estratégicas e na condução política do grupo.
As causas do racha ganharam novos contornos quando Celina Leão rebateu as críticas de Ibaneis. A governadora associou o descontentamento do ex-governador a medidas rigorosas que ela implementou no Banco de Brasília (BRB). Segundo Celina, sua gestão identificou irregularidades e um rombo financeiro considerável nas contas públicas herdadas, o que a levou a substituir toda a diretoria da instituição financeira e encaminhar relatórios detalhados para o Ministério Público Federal (MPF) e para a Polícia Federal (PF). Ela chegou a declarar de forma enfática que "sucessão nunca será submissão", indicando que as investigações internas no banco podem ter sido o gatilho emocional e político para a fúria de Ibaneis, que possui laços históricos com a instituição.
Para o leitor brasileiro e, especificamente, para o cidadão brasiliense, essa trégua momentânea motivada pela saúde de Celina não apaga a tensão latente sobre o futuro do Distrito Federal. O embate entre Ibaneis e Celina redesenha o tabuleiro eleitoral para os próximos anos e levanta dúvidas sobre a estabilidade de projetos iniciados conjuntamente. A governadora, ao se recuperar, enfrentará o desafio de manter a governabilidade sem o apoio formal de seu mentor político, enquanto Ibaneis tenta se reposicionar como uma voz crítica e fiscalizadora. O desdobramento das investigações no BRB será o fiel da balança para determinar se esse "desejo de melhoras" é apenas um protocolo de etiqueta ou se ainda existe espaço para um diálogo institucional civilizado entre as duas maiores potências políticas da região.






