Homem é preso por envenenar esposa com chumbinho no RJ; filha também teria participado
Suspeito foi localizado em Conceição de Macabu após cinco meses foragido; filha do casal também participou do crime.

Homem é preso no Norte Fluminense após cinco meses foragido por tentar matar a esposa com 'chumbinho'. Filha de 18 anos também é acusada de participar do planejamento do crime em São Gonçalo. A vítima sobreviveu após internação em estado grave.
Um homem de 45 anos, identificado como Marcos Almeida da Silva, foi detido no último domingo (31) sob a grave acusação de tentar assassinar a própria esposa, uma mulher de 59 anos, utilizando raticida conhecido popularmente como "chumbinho". A prisão ocorreu em um posto de combustíveis localizado no bairro Paraíso, em Conceição de Macabu, no Norte Fluminense. A ação foi o culminar de um trabalho investigativo conduzido pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo, que apurava o caso de tentativa de feminicídio ocorrido há alguns meses, quando a vítima deu entrada em uma unidade hospitalar em estado crítico devido à ingestão da substância tóxica.
O episódio ganha contornos ainda mais dramáticos com a revelação da participação de um membro do núcleo familiar no planejamento da ação criminosa. Durante o curso do inquérito policial, as autoridades descobriram que a filha do casal, uma jovem de 18 anos, teria colaborado com o pai para arquitetar o envenenamento da mãe. No início das investigações, a moça havia comparecido à delegacia apenas como comunicante do fato, tentando desviar as suspeitas de si e de seu progenitor. Entretanto, o cruzamento de informações e a coleta de depoimentos revelaram sua coparticipação no plano, o que levou à expedição de um mandado de prisão também contra ela, que foi cumprido em sua residência nas etapas iniciais da operação.
O histórico do caso aponta que Marcos Almeida da Silva estava foragido da Justiça há cerca de cinco meses. Após o agravamento do estado de saúde da esposa e o início formal das investigações em São Gonçalo, o suspeito abandonou sua residência fixa e passou a viver na clandestinidade. O monitoramento realizado pelo setor de inteligência da Polícia Civil conseguiu rastrear o paradeiro do homem, que trabalhava como frentista no Norte Fluminense, a centenas de quilômetros de distância do local do crime. A prisão preventiva foi expedida pela 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, consolidando os esforços das equipes que buscavam fechar o cerco contra o agressor.
O uso do "chumbinho" como ferramenta para crimes domésticos é uma questão de saúde e segurança pública preocupante no Brasil. Embora a comercialização desse produto seja estritamente ilegal para uso doméstico, por ser um agrotóxico de uso exclusivo agrícola (geralmente à base de aldicarbe ou similares), o acesso clandestino ainda facilita episódios de violência doméstica e tentativas de feminicídio. A vítima em questão sobreviveu ao ataque, mas as sequelas de envenenamentos por organofosforados ou carbamatos podem ser severas, afetando o sistema nervoso e órgãos vitais. O desfecho desta investigação reforça a importância das unidades especializadas de atendimento à mulher, que possuem protocolos específicos para identificar sinais de violência que, muitas vezes, tentam ser mascarados como acidentes domésticos.
Agora, pai e filha permanecem à disposição do sistema judiciário e responderão pelos crimes de tentativa de feminicídio qualificado por emprego de veneno e impossibilidade de defesa da vítima. O caso seguirá para a fase de instrução processual, onde a defesa dos acusados terá a oportunidade de se manifestar. Para a população brasileira, este caso serve como um alerta sobre a complexidade das relações de violência doméstica, que podem envolver múltiplos membros da família contra um alvo específico. O monitoramento de casos de violência contra a mulher continua sendo prioridade para as forças de segurança do Rio de Janeiro, especialmente em regiões onde o isolamento ou o medo impedem denúncias imediatas.




