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Haddad mantém defesa da 'taxa das blusinhas' e mira governo de SP em 2026

Ministro da Fazenda mantém convicção sobre imposto em compras internacionais, critica gestão de Tarcísio de Freitas e sugere prévias para a sucessão de Lula.

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Redação 360 Notícia
1 de junho de 2026 às 09:003 min
Haddad mantém defesa da 'taxa das blusinhas' e mira governo de SP em 2026
Foto: Reprodução
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Em entrevista, Fernando Haddad reafirma defesa da tributação sobre importações de baixo valor, contraria recuo de Lula e projeta disputa ao governo de São Paulo com críticas a Tarcísio de Freitas. Ministro também sugere prévias no PT para sucessão presidencial.

O cenário político brasileiro foi recentemente movimentado por declarações firmes do atual ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Em entrevista exclusiva à BBC News Brasil, Haddad reiterou sua defesa em relação à tributação federal sobre compras internacionais de até US$ 50, popularmente conhecida como "taxa das blusinhas". Mesmo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sinalizado um recuo estratégico sobre o tema, motivado por potenciais desgastes eleitorais e pressões nas redes sociais, o chefe da equipe econômica manteve sua postura original, afirmando categoricamente que não mudou de opinião sobre a necessidade de equilibrar a concorrência entre o comércio físico e o digital.

A argumentação de Haddad sustenta-se em um princípio de isonomia tributária. Segundo o ministro, não é razoável que uma loja instalada em território nacional, que gera empregos diretos e paga aluguéis e impostos locais, seja submetida a uma carga tributária superior à de gigantes do e-commerce estrangeiro. Ele defende que a proteção da indústria nacional e do varejo brasileiro é fundamental para a manutenção de postos de trabalho. O ministro destacou que governadores de diversos espectros políticos, incluindo o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mantêm a cobrança do ICMS sobre esses produtos, argumentando que a crítica recai desproporcionalmente sobre o governo federal enquanto as administrações estaduais permanecem arrecadando silenciosamente sobre o mesmo consumo.

Para além da polêmica das importações, a entrevista revelou as nuances da estratégia de Haddad para a disputa ao Palácio dos Bandeirantes em 2026. Ele traçou críticas severas à gestão de Tarcísio de Freitas, focando especialmente em temas como a privatização da Sabesp e a segurança pública. Haddad classificou a venda da companhia de saneamento como um processo "mal explicado" e "precário", citando supostas conexões entre investidores e o episódio do Banco Master. Na área da segurança, um tradicional calcanhar de Aquiles da esquerda, o petista anunciou que possui um plano estruturado com "começo, meio e fim", enfatizando o combate ao crime organizado por meio da inteligência e cooperação com órgãos federais, criticando a resistência do governo paulista em aderir à PEC da Segurança Pública proposta por Lula.

No campo econômico nacional, Haddad rebateu as críticas sobre o déficit fiscal bilionário do país, atribuindo o rombo não a um excesso de gastos, mas à manutenção da taxa de juros em patamares elevados pelo Banco Central. Ele defendeu que a equipe econômica herdou um orçamento desorganizado, com "calotes" em precatórios e deficiências em programas sociais, e que o ajuste necessário já foi iniciado. Para o ministro, o próximo governante do Brasil — cargo para o qual ele espera a reeleição de Lula — encontrará contas públicas em situação significativamente melhor do que as atuais. O otimismo de Haddad, contudo, contrasta com a resistência de parte do eleitorado, algo que ele atribui em parte ao impacto das redes sociais e à desinformação, chegando a comparar o comportamento de certas "bolhas" digitais à fidelidade de seitas.

Por fim, ao ser questionado sobre o futuro do Partido dos Trabalhadores e a inevitável sucessão de Lula, que completará 80 anos, Haddad sugeriu um caminho democrático e inovador para o partido: a realização de prévias internas. Embora evite se colocar diretamente como o herdeiro natural do bastão presidencial, ele recordou sua trajetória como único petista além de Lula e Dilma a disputar a presidência. O ministro acredita que um processo de escolha aberto, envolvendo a militância e o debate de ideias, seria "o máximo" e serviria para revitalizar a sigla. Enquanto 2026 não chega, Haddad segue equilibrando a gestão das finanças do país com os palanques do interior paulista, tentando provar que a coerência econômica, mesmo quando impopular, pode ser um ativo eleitoral.

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