Minha Voz

Gratidão

Eu agradeço. Entre tantas qualidades que o ser humano possui, considero a gratidão uma das mais belas. Ser grato não depende do tamanho do que recebemos, mas da

16 de fevereiro de 2026 às 13:342 min
Gratidão
Foto: Reprodução
Compartilhar

Eu agradeço. Entre tantas qualidades que o ser humano possui, considero a gratidão uma das mais belas. Ser grato não depende do tamanho do que recebemos, mas da intensidade e da profundidade com que reconhecemos aquilo q

Eu agradeço. Entre tantas qualidades que o ser humano possui, considero a gratidão uma das mais belas. Ser grato não depende do tamanho do que recebemos, mas da intensidade e da profundidade com que reconhecemos aquilo que nos toca. Gratidão não se mede; se sente. É o calor que nasce do coração diante de algo que nos foi dado ou feito — e, principalmente, diante do que fazem por nós. Esse último tipo é ainda mais intenso, porque nasce de um cuidado que vem de dentro, pensado especialmente para nós sem a intenção da recompensa, do oportunismo que sempre é caracterizada pelas relações de hoje, tão frágil, rasa, xoxa e capenga.

Quando fazemos algo pelo outro sem esperar retorno, sem transformar o gesto em moeda de troca, vivemos a forma mais pura do amor. É maravilhoso agir movido apenas pelo afeto, pela vontade sincera de oferecer algo bom, sem imaginar que um dia isso será cobrado como favor. Quando fazemos com amor, a intenção de simplesmente fazer — porque gostamos, porque queremos bem, porque amamos — ultrapassa qualquer sombra de egoísmo ou ideia de merecimento.

Pouquíssimas pessoas despertam esse tipo de sentimento em nós. E conseguimos reconhecê-las facilmente: são aquelas que agem à luz do dia, com palavras claras, olhar transparente e uma compreensão que abraça. São presenças que permanecem, que se fazem sentir, que nos acompanham nesse universo complexo que são as relações humanas.

Há um texto profundo de Ana Paula Borges que expressa exatamente essa sensibilidade:

"Agradeço, mente querida, por tentar me mostrar todas as nuances das situações, por trazer diferentes características e comportamentos... Em certa medida, isso me ajuda a ver o todo e a perceber o quanto cada um de nós é complexo, imperfeito e, muitas vezes, contraditório. Agradeço pelo seu esforço de me mostrar a "verdade", mas hoje dispenso esse exercício. Quero apontar minha lanterna interna só para as coisas boas daqueles que conheço. Nesse momento, não me interessam os defeitos e, sim, só as virtudes. Não me interessam as chatices, mas só os deleites que tenho quando estou perto deles."

Porque, no fundo, somos todos feitos de fragmentos: partes que brilham, partes que doem, partes que ainda estão aprendendo a ser. E quando escolho olhar para o melhor do outro, algo dentro de mim também se transforma. A vida se torna menos áspera. As relações, mais possíveis e então, a gente agradece.

Hoje, quero celebrar os deleites — os risos espontâneos, as conversas que aquecem, os abraços que dizem sem palavras, a companhia que não exige explicações. Quero honrar o que é bonito nas pessoas que caminham comigo, mesmo que às vezes tropecem, mesmo que às vezes se contradigam, mesmo que às vezes me confundam.

Porque amar — de qualquer forma — é isso: E scolher ver a luz, mesmo sabendo que a sombra existe. E agradecer por cada brilho que toca o nosso caminho.

Antonio Marcos de Souza

#gratidão

Leia também