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Grande Recife conclui concessão total das paradas de ônibus à iniciativa privada

Acordo com empresa vencedora prevê a reforma de 3,4 mil abrigos e manutenção por 20 anos em 14 cidades da Região Metropolitana.

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Redação 360 Notícia
21 de maio de 2026 às 21:003 min
Grande Recife conclui concessão total das paradas de ônibus à iniciativa privada
Foto: Reprodução
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Governo de Pernambuco conclui licitação que entrega 100% dos pontos de ônibus da Região Metropolitana do Recife à iniciativa privada. Concessionária investirá na reforma de 3,4 mil abrigos em troca de exploração publicitária por 20 anos.

O Governo de Pernambuco anunciou a conclusão de um passo decisivo para a infraestrutura do transporte público na Região Metropolitana do Recife. Com a concessão de um novo lote de 3.450 paradas de ônibus à iniciativa privada, o estado atinge a marca de 100% dos pontos de embarque e desembarque sob gestão particular. A empresa All Space Propaganda e Marketing Ltda. sagrou-se vencedora do certame e terá a responsabilidade de gerir, reformar e manter essas estruturas pelas próximas duas décadas. O contrato prevê uma outorga de R$ 18 milhões e marca uma tentativa de padronizar a qualidade do atendimento ao usuário, que há anos sofre com a precariedade de abrigos expostos ao tempo e à falta de manutenção.

Historicamente, a gestão dos abrigos de passageiros no Grande Recife enfrentava um desafio logístico e financeiro: as empresas costumavam se interessar apenas pelos pontos localizados em áreas de alto fluxo, onde a exploração publicitária é mais lucrativa. Isso criava um abismo de qualidade entre os centros urbanos e as periferias. Segundo o Grande Recife Consórcio de Transporte (CTM), este novo modelo de licitação obriga a concessionária a assumir o pacote completo, incluindo os pontos de baixo interesse comercial. Ao todo, as 14 cidades que compõem a região metropolitana agora somam 6.905 equipamentos (entre abrigos e totens) integrados a esse modelo de parceria público-privada, garantindo que o investimento chegue a locais antes esquecidos pelo poder público.

Para o passageiro pernambucano, a expectativa é de mudanças visíveis a partir de junho deste ano. A empresa vencedora, que integra o grupo Kallas, já atua no primeiro lote concedido em 2022 e agora expande sua operação. O cronograma prevê que, após a assinatura da ordem de serviço, a concessionária apresente projetos executivos que precisam ser aprovados pelo governo. O foco inicial será a substituição imediata dos abrigos que se encontram em estado crítico de conservação. Em troca do investimento em obras e da manutenção preventiva constante, a All Space poderá comercializar espaços publicitários nos painéis das paradas, modelo amplamente utilizado em grandes metrópoles globais e que desonera o caixa do Estado.

Apesar da modernização prometida, o projeto não está isento de vigilância e críticas. A primeira etapa da concessão, iniciada há dois anos, foi alvo de reclamações por parte dos usuários quanto ao design de alguns abrigos. Queixas sobre bancos excessivamente estreitos e telhados que não protegem adequadamente contra a chuva equatorial característica do Recife foram comuns. O CTM afirmou que está atento a esses pontos e que os novos projetos devem seguir parâmetros técnicos que respeitem as condições geográficas e climáticas da região. Há, inclusive, uma discussão aberta sobre a possibilidade de readequar os equipamentos instalados na primeira fase para que sigam o novo padrão de conforto que se espera para esta segunda etapa.

O impacto dessa medida para a mobilidade urbana é profundo. Em uma região onde o transporte público é o principal meio de deslocamento da classe trabalhadora, o estado das paradas de ônibus reflete diretamente na dignidade do cidadão. A gestão privada sob fiscalização estatal visa resolver problemas crônicos de vandalismo e depredação, uma vez que a empresa tem interesse direto em manter o ativo limpo e funcional para valorizar seus anunciantes. Nos próximos meses, o monitoramento popular será fundamental para garantir que a modernização não seja apenas estética, mas funcional, transformando a espera pelo ônibus em uma experiência menos exaustiva para os milhões de usuários diários do sistema.

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