GCM apreende dez filhotes de lagartixa-leopardo em transporte irregular em Suzano
Motorista de aplicativo desconfiou de encomenda retirada em posto e acionou a GCM; animais seriam levados para o litoral.

Dez filhotes de lagartixa-leopardo foram apreendidos em Suzano após motorista de aplicativo desconfiar da encomenda. Os animais, nativos da Ásia, seriam levados ilegalmente para o litoral paulista. Espécie exige autorização do Ibama para criação no Brasil.
Uma apreensão inusitada mobilizou as autoridades de segurança e proteção ambiental no município de Suzano, na região metropolitana de São Paulo. O Grupamento de Proteção Ambiental (GPA), vinculado à Guarda Civil Municipal (GCM), efetuou a apreensão de dez filhotes de lagartixa-leopardo (Eublepharis macularius), uma espécie de réptil exótico cuja comercialização sem autorização é considerada crime ambiental no Brasil. Os animais foram entregues à Secretaria Municipal de Segurança Cidadã por um motorista de transporte por aplicativo, que suspeitou da natureza da carga que estava transportando e decidiu verificar o conteúdo das embalagens antes de completar o trajeto.
O caso teve início quando o motorista aceitou uma corrida para levar uma encomenda retirada em um posto de combustíveis localizado em Suzano. O destino final da carga seria a cidade de São Vicente, no litoral paulista. Durante o percurso, a forma como os pacotes estavam acondicionados e o comportamento atípico da entrega despertaram a desconfiança do condutor. Ao abrir as embalagens plásticas individuais, ele se deparou com os pequenos répteis e, ciente das implicações legais envolvendo o transporte de animais silvestres ou exóticos, dirigiu-se imediatamente à sede da GCM para realizar a entrega voluntária dos animais e relatar o ocorrido às autoridades competentes.
A lagartixa-leopardo, também conhecida popularmente pelo nome em inglês "leopard gecko", é natural de regiões desérticas da Ásia, abrangendo países como Paquistão, Afeganistão e partes da Índia. No Brasil, embora existam criadores entusiastas, a posse, criação e venda desses animais são rigorosamente controladas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Para que um exemplar dessa espécie seja mantido legalmente, ele deve ser proveniente de criadouros autorizados, possuir nota fiscal e marcação de identificação. O transporte irregular, como o verificado neste episódio, configura infração ambiental e pode resultar em penalidades tanto para quem envia quanto para quem recebe o animal sem a devida documentação.
De acordo com os agentes do Grupamento de Proteção Ambiental, os filhotes estavam em recipientes plásticos que, embora individuais, não ofereciam as condições ideais de temperatura e ventilação para um transporte de longa distância, o que poderia colocar em risco a vida dos espécimes. Após a apreensão inicial, o caso foi encaminhado para a Delegacia de Investigações sobre Crimes contra o Meio Ambiente (Dicma) em Mogi das Cruzes, onde a ocorrência foi formalmente registrada. A investigação agora deve buscar identificar os responsáveis pela transação ilegal, rastreando a origem do pedido e os envolvidos no ponto de coleta e no destino final no litoral sul de São Paulo.
Após passarem pelos procedimentos burocráticos e de triagem, os dez lagartos foram transferidos para o Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres do Estado de São Paulo (Cetras-SP). Neste local, os animais receberão cuidados veterinários especializados para avaliar seu estado de saúde após o estresse do transporte inadequado. O destino desses animais exóticos apreendidos costuma ser complexo, uma vez que, por não pertencerem à fauna brasileira, eles não podem ser soltos na natureza local sob risco de causarem desequilíbrios ecológicos. Geralmente, são destinados a zoológicos, mantenedouros de fauna ou instituições de pesquisa que possuam estrutura adequada para abrigá-los permanentemente.
A ocorrência levanta um alerta importante sobre o uso de serviços de transporte por aplicativo para o tráfico de animais. As autoridades reforçam que motoristas e entregadores devem estar atentos a volumes suspeitos e que a denúncia é a melhor forma de evitar a responsabilização por crimes ambientais. Em Suzano e região, a população pode exercer seu papel cívico denunciando crimes contra a fauna e a flora por meio dos canais oficiais, como o telefone 153 ou o número direto da Guarda Municipal (11 4746-3297). O combate ao comércio ilegal de espécies exóticas é fundamental para preservar o bem-estar animal e impedir a introdução de espécies que possam competir com a biodiversidade local.






