Futuro no futebol: Leila Pereira admite desejo de se tornar dona de um clube após ciclo no Palmeiras
Mandatária do Palmeiras sinaliza cansaço com a política interna de clubes e projeta transição para o modelo de dona de equipe no formato de SAF.

Em entrevista à GloboNews, Leila Pereira, presidente do Palmeiras, revela planos de adquirir um clube de futebol no futuro através do modelo de SAF. A empresária destacou o desgaste com a política partidária clubista e sua preferência pelo formato de gestão empresarial.
A atual presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, Leila Pereira, gerou fortes repercussões no cenário esportivo brasileiro ao projetar seus próximos passos na gestão do futebol. Em entrevista concedida na estreia do novo programa da GloboNews, o "POD_i", a mandatária revelou que considera seriamente a possibilidade de se tornar proprietária de um clube de futebol no futuro, adotando o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A declaração ocorre em um momento em que Leila consolida sua liderança no Alviverde, mas já vislumbra o período subsequente ao término de sua trajetória política no clube paulista, previsto para o final de 2027, caso seja reeleita no pleito deste ano.
A trajetória de Leila Pereira no Palmeiras é marcada por uma transição sem precedentes na história do esporte nacional, passando de patrocinadora principal, através da Crefisa e da FAM, a conselheira e, por fim, presidente eleita. Durante a conversa com a jornalista Andréia Sadi, Leila enfatizou que não possuía planos concretos para ingressar na política institucional do clube há quinze anos, mas que soube aproveitar as oportunidades que o mercado e o destino apresentaram. Usando uma metáfora futebolística, a empresária destacou sua capacidade de decisão e execução ao afirmar que se considera uma "boa centroavante", pronta para aproveitar os passes da vida e convertê-los em resultados concretos, características que ela aplica tanto em seus conglomerados financeiros quanto na administração esportiva.
Um dos pontos centrais da fala de Leila Pereira foi a sua explícita preferência pelo modelo de clube-empresa em detrimento da política associativa tradicional. A presidente desabafou sobre o desgaste causado pelos processos eleitorais internos e a necessidade constante de articulação política para aprovar medidas e garantir a governabilidade. Segundo ela, a paciência para o ambiente de votações e disputas de poder está se esgotando, o que torna a estrutura de uma SAF muito mais atraente para o seu perfil executivo. No modelo empresarial, a tomada de decisão é centralizada e pautada por métricas de eficiência e retorno, o que contrasta com a natureza muitas vezes morosa e conflituosa das diretorias estatutárias nos clubes de massa brasileiros.
A possível transição de Leila para o papel de dona de um clube levanta discussões importantes sobre o futuro do futebol nacional e o avanço da profissionalização do esporte. Atualmente, o Brasil assiste a uma onda de transformações com a chegada de investidores estrangeiros e grupos de capital fechado que adquiriram instituições tradicionais, como o Botafogo, o Cruzeiro e o Vasco. A diferença no caso de Leila seria a presença de um investidor nacional com profundo conhecimento dos bastidores do futebol sul-americano e um histórico de sucesso em termos de títulos e estabilidade financeira. Vale lembrar que, enquanto estiver à frente do Palmeiras, Leila precisa lidar com críticas sobre conflito de interesses, dadas suas múltiplas funções como gestora, patrocinadora e credora do clube, questões que seriam tecnicamente simplificadas sob uma estrutura de propriedade direta.
Para o torcedor brasileiro e especificamente para os palmeirenses, a fala de Leila serve como um indicativo de que seu ciclo no clube terá um ponto final bem definido. Caso ela opte por não buscar cargos políticos futuros ou se a legislação interna impedir a perpetuação no poder, o mercado já monitora quais agremiações poderiam estar no radar de investimento da empresária. A declaração reforça uma tendência global onde grandes fortunas buscam no futebol não apenas visibilidade, mas um ativo financeiro estratégico. Até dezembro de 2027, o foco permanece na manutenção da competitividade do Palmeiras, mas o cenário pós-mandato já começa a ser desenhado com a ambição característica de uma das mulheres mais poderosas do mundo dos negócios no Brasil.





