Forças de segurança realizam operação contra tortura e tráfico de drogas na Zona da Mata mineira
Ação coordenada pelo MPMG cumpre mandados em Juiz de Fora, Ubá e São Geraldo para desarticular braço de facção fluminense e tribunais do crime.


Operação Atalaia mobiliza MPMG e forças policiais contra a expansão de facções criminosas e a prática de 'tribunal do crime' em cidades como Juiz de Fora e Ubá.
As forças de segurança e órgãos de controle de Minas Gerais deflagraram, na manhã desta sexta-feira (14), a Operação Atalaia, uma ofensiva estratégica voltada a desmantelar núcleos de uma organização criminosa de alta periculosidade que atua na Zona da Mata mineira. A ação tem como foco principal o combate ao tráfico de entorpecentes, a repressão a crimes de tortura e o monitoramento da expansão de facções com origem no Rio de Janeiro, especificamente o Comando Vermelho, que tenta consolidar território em municípios mineiros. Até o fechamento das primeiras atualizações, quatro suspeitos haviam sido detidos pelas autoridades policiais.
A operação é coordenada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e conta com um robusto aparato de inteligência. As prisões e buscas ocorreram de forma simultânea nas cidades de São Geraldo, Ubá e Juiz de Fora. Além dos mandados de prisão cumpridos, as equipes de campo realizaram a apreensão de diversos dispositivos eletrônicos, como smartphones e computadores, além de documentos e outros materiais que podem servir como prova do funcionamento interno da estrutura criminosa. O material coletado passará por perícia técnica para identificar novos alvos e ramificações do grupo.
As investigações que culminaram na Operação Atalaia revelaram um cenário alarmante de controle social paralelo exercido pelos criminosos. Segundo o MPMG, a organização é composta tanto por indivíduos que já se encontram detidos no sistema penitenciário mineiro, de onde emitem ordens, quanto por comparsas que operam livremente nas ruas. Essa conexão entre o cárcere e o ambiente externo permitia que a facção mantivesse um fluxo contínuo de distribuição de drogas e a manutenção da disciplina interna através do medo e da violência extrema na região.
Um dos pontos centrais do inquérito é a prática recorrente do chamado 'tribunal do crime'. De acordo com os promotores e investigadores envolvidos no caso, o grupo utilizava castigos corporais severos e sessões de tortura para punir moradores ou membros rivais que desobedecessem às normas impostas pela cúpula da organização. Esse método de coerção visa estabelecer um estado de terror nas comunidades da Zona da Mata, dificultando a colaboração de testemunhas com a polícia e garantindo a hegemonia da facção sobre o comércio ilícito local.
A presença de facções fluminenses no interior de Minas Gerais tem sido um desafio crescente para a Secretaria de Segurança Pública. A Operação Atalaia busca justamente cortar as linhas de comunicação e os fluxos financeiros que permitem que esses grupos se estabeleçam longe de suas bases originais. Com a prisão dos quatro envolvidos e a coleta de novos dados, o Ministério Público espera detalhar como funciona a logística de transporte de armas e drogas para a Zona da Mata e identificar outros integrantes que ainda não foram formalmente qualificados no processo investigativo.
Os próximos passos da investigação incluem a análise dos dados extraídos dos aparelhos celulares apreendidos, o que deve gerar novos desdobramentos nas próximas semanas. A Justiça também deverá decidir sobre a manutenção da prisão preventiva dos detidos e possíveis transferências para presídios de segurança máxima, visando isolar as lideranças identificadas. A Polícia Militar e a Polícia Civil seguem em alerta na região para evitar possíveis retaliações e assegurar a ordem pública após as intervenções desta manhã.
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Sobre este conteúdo
Autor: Antonio Marcos de Souza
Publicado: 26 de agosto de 2026 às 08:00
Atualizado: 26 de agosto de 2026 às 08:00
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