Braskem entra com pedido de recuperação extrajudicial em meio à crise por mineração em Alagoas
Petroquímica busca reestruturar dívidas bilionárias enquanto lida com as consequências do desastre geológico que deslocou 60 mil pessoas em Maceió.


A Braskem protocolou pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas bilionárias, enquanto enfrenta as repercussões do desastre geológico em Maceió.
A petroquímica Braskem protocolou, nesta segunda-feira (24), um pedido formal de recuperação extrajudicial junto ao Poder Judiciário. A medida visa a reestruturação de uma dívida bilionária que pressiona o caixa da companhia, em um movimento estratégico para tentar garantir a continuidade de suas operações financeiras. O anúncio ocorre em um momento crítico, no qual a empresa ainda lida com as pesadas consequências financeiras e jurídicas decorrentes do desastre geológico causado pela extração de sal-gema em Maceió, Alagoas, que resultou no afundamento de diversos bairros da capital.
O caso, considerado um dos maiores desastres socioambientais urbanos do mundo, teve seu estopim em março de 2018, quando fortes tremores de terra foram sentidos por moradores de bairros como Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto. Na época, o que parecia ser um fenômeno natural isolado revelou-se, após investigações geológicas rigorosas, como consequência direta de décadas de exploração mineral. As cavidades abertas pela mineração de sal-gema no subsolo da cidade perderam estabilidade, levando a um processo de subsidência — o afundamento gradativo da superfície terrestre.
Os danos estruturais foram devastadores e irreversíveis para a configuração urbana de Maceió. Rachaduras profundas começaram a surgir em casas, prédios e vias públicas, tornando a permanência naquelas áreas extremamente perigosa. Estima-se que cerca de 60 mil pessoas tenham sido obrigadas a abandonar suas residências, deixando para trás histórias de vida e bairros inteiros que hoje se assemelham a cidades-fantasma. A evacuação em massa gerou uma pressão sem precedentes sobre o mercado imobiliário local e sobre a infraestrutura de outros pontos da cidade, que precisaram absorver a população deslocada.
Do ponto de vista técnico e jurídico, a trajetória da exploração mineral na região remonta a 1976, com a empresa Salgema Indústrias Químicas, que posteriormente tornou-se parte da Braskem. O colapso de uma das minas de exploração, especificamente a mina 18, em dezembro de 2023, trouxe novamente o tema para as manchetes internacionais, evidenciando a gravidade da instabilidade do terreno. Recentemente, a Justiça Federal aceitou denúncias contra ex-dirigentes e técnicos da companhia, que agora respondem por possíveis negligências e falhas na condução dos riscos associados à mineração em área urbana.
Com o pedido de recuperação extrajudicial, a Braskem busca fôlego financeiro para honrar compromissos com credores enquanto mantém os acordos de indenização e mitigação de danos em Alagoas. Os próximos passos envolvem a análise do plano de recuperação pela Justiça e a negociação direta com as instituições financeiras. Enquanto a empresa tenta se reequilibrar economicamente, a população atingida e as autoridades ambientais permanecem em alerta sobre os riscos de novos deslocamentos de terra e a necessidade de recuperação das áreas degradadas, que permanecem monitoradas ininterruptamente pela Defesa Civil.
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Sobre este conteúdo
Autor: Antonio Marcos de Souza
Publicado: 25 de agosto de 2026 às 08:00
Atualizado: 25 de agosto de 2026 às 08:00
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