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Farsa em Joinville: Mulher de 37 anos finge ter 12 para enganar família e é presa em SC

Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, usava chupetas, mamadeiras e simulava autismo para manter disfarce infantil em Joinville.

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Redação 360 Notícia
5 de junho de 2026 às 05:003 min
Farsa em Joinville: Mulher de 37 anos finge ter 12 para enganar família e é presa em SC
Foto: Reprodução
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Mulher de 37 anos é presa em Joinville (SC) após fingir ser uma criança de 12 anos para ser adotada. Com uso de chupetas e mamadeiras, a acusada enganou uma família por mais de um ano e já aplicou golpes similares em outros cinco estados brasileiros.

O município de Joinville, localizado no Norte de Santa Catarina, tornou-se o palco de uma trama policial que parece saída de um roteiro cinematográfico, mas que traz contornos dramáticos e reais de manipulação psicológica. Amanda Maria Souza de Oliveira, uma mulher de 37 anos, foi presa preventivamente após passar mais de um ano convivendo com uma família local sob uma identidade falsa. Durante 14 meses, ela conseguiu convencer um casal de que era uma pré-adolescente de apenas 12 anos, utilizando-se de táticas elaboradas para simular vulnerabilidade extrema e dependência emocional, configurando o crime de estelionato e falsa identidade.

A investigação aponta que a aproximação começou de forma calculada. Inicialmente, Amanda apresentou-se a um pastor local com seu nome falso, Gabriele, afirmando ter 18 anos e buscando trabalho como padeira. Com o tempo, ela passou a relatar situações de miséria e graves problemas de saúde, ganhando a solidariedade da família. O golpe escalou quando ela mudou sua versão, afirmando que, na verdade, tinha apenas 11 anos e era vítima de abusos severos. Sensibilizados pela suposta fragilidade da criança fictícia, o casal a acolheu integralmente em seu lar, iniciando o que o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Bueno Gusso, descreveu como um "sequestro emocional".

Para manter o disfarce de criança, a acusada adotou comportamentos regressivos que incluíam o uso noturno de chupetas, mamadeiras e objetos de transição carinhosamente chamados de "cheirinhos". Amanda estudava profundamente as características do transtorno do espectro autista (TEA) para mimetizar comportamentos e justificava sua aparência física — que não condizia totalmente com a idade declarada — alegando ser fruto de sequelas de tratamentos hormonais forçados aos quais teria sido submetida no passado. Além disso, ela produzia desenhos que simulavam sinais de abuso sexual infantil para reforçar o papel de vítima e evitar que fosse matriculada em escolas, argumentando que o contato externo permitiria que seu suposto abusador a localizasse.

A farsa começou a ruir apenas quando uma tia da família, que mantinha certo distanciamento da rotina da casa, passou a desconfiar da veracidade da história. Ao realizar buscas na internet, a familiar encontrou registros de casos idênticos ocorridos em outros estados, o que a levou a alertar o casal. Após a denúncia, a Polícia Civil descobriu que Amanda é uma mestre na arte do engano, possuindo um histórico de crimes semelhantes em pelo menos outros cinco estados brasileiros: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. No Rio de Janeiro, em Nova Iguaçu, ela já havia conseguido sensibilizar coordenadores de projetos sociais com o mesmo "modus operandi".

Atualmente, Amanda Maria Souza de Oliveira está sob custódia, tendo sua prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça de Santa Catarina. A defesa da investigada, por meio de um defensor dativo, solicitou a realização de um exame de sanidade mental para avaliar as condições psíquicas da acusada, pedido que foi deferido pelo juízo de garantias. O caso levanta discussões importantes sobre a segurança em processos de acolhimento informal e a sofisticação de estelionatos emocionais que exploram a boa-fé e o instinto protetor de famílias brasileiras. O próximo passo do processo jurídico depende da conclusão da perícia oficial, enquanto as autoridades tentam identificar se há outras vítimas ainda não contabilizadas em outras regiões do país.

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