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Falso médico é preso no Rio por abortos clandestinos após morte de paciente

O suspeito, que não possui formação médica, utilizava papel-toalha em procedimentos e foi detido após a morte de uma paciente e ferimentos graves em outra.

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Redação 360 Notícia
5 de junho de 2026 às 16:003 min
Falso médico é preso no Rio por abortos clandestinos após morte de paciente
Foto: Reprodução
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu um falso médico que operava clínica clandestina na Barra da Tijuca. A investigação começou após a morte de uma paciente e ferimentos graves em outra; o homem utilizava papel-toalha em procedimentos e não possuía formação na área da saúde.

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro efetuou a prisão de um homem nesta sexta-feira (5), sob a acusação de exercício ilegal da medicina e realização de abortos clandestinos em condições subumanas. O suspeito, que não teve a identidade revelada pelas autoridades policiais, operava uma clínica clandestina situada no bairro da Barra da Tijuca, área nobre da Zona Oeste carioca. A operação ocorreu em Benfica, na Zona Norte, onde o investigado foi localizado e detido. A ação foi coordenada pela 14ª DP (Leblon) após uma série de denúncias e o registro de fatalidades ligadas à prática criminosa de interrupção de gravidez de forma insegura.

As investigações que culminaram na prisão tiveram um ponto de partida trágico: a morte de uma paciente que se submeteu aos serviços do falso médico. Além do óbito confirmado, uma segunda mulher apresentou ferimentos gravíssimos e complicações de saúde severas após passar por procedimentos na unidade clandestina comandada pelo homem. De acordo com as autoridades, o local não possuía nenhum tipo de alvará sanitário ou autorização para funcionamento clínico, servindo apenas como fachada para uma rede de procedimentos ilegais que colocava em risco iminente a vida de dezenas de mulheres que buscavam o serviço motivadas pelo desespero ou falta de amparo legal.

O cenário detalhado pelos agentes da Polícia Civil revela um ambiente de extrema precariedade e horror. Foi constatado que o falso médico não possuía qualquer diploma ou formação na área da saúde. Durante as cirurgias e intervenções, a ausência de equipamentos básicos era suprida por improvisos perigosos; o uso de papel-toalha em substituição a materiais cirúrgicos estéreis e a falta de suporte para emergências médicas eram práticas comuns no local. A perícia técnica destacou que as condições de higiene eram inexistentes, o que tornava qualquer intervenção uma potencial sentença de morte por infecções generalizadas ou hemorragias incontroláveis, como as que vitimaram as pacientes citadas nos autos.

Durante a execução dos mandados de busca e apreensão na clínica e na residência do suspeito, em Benfica, os policiais apreenderam uma vasta quantidade de medicamentos controlados, muitos deles com venda restrita a hospitais, além de instrumentos cirúrgicos rudimentares. Um detalhe que agravou a situação jurídica do detido foi a descoberta de munições em sua casa. Em decorrência disso, além de ser investigado pelos procedimentos abortivos ilegais e pela negligência que levou à morte de uma pessoa, ele foi autuado em flagrante pelo crime de posse ilegal de munição. A Justiça já havia expedido um mandado de prisão temporária, que agora pode ser convertido em preventiva diante da gravidade das evidências coletadas e do risco à ordem pública.

Este caso reacende o debate sobre a segurança pública e os riscos da exploração de serviços médicos por charlatões no Brasil. A Barra da Tijuca, embora seja um bairro de alto poder aquisitivo, serve muitas vezes de esconderijo para clínicas que tentam transmitir uma imagem de sofisticação para atrair clientes, mesmo operando na ilegalidade absoluta. Para o leitor brasileiro, o episódio reforça a necessidade de verificação rigorosa de registros profissionais junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM) antes de qualquer atendimento. O desdobramento esperado agora é o depoimento de outras possíveis vítimas que, por medo de represálias ou por estarem envolvidas em um ato ilegal perante a lei brasileira, ainda não procuraram a delegacia para formalizar a queixa contra o falso profissional.

A expectativa é que a Polícia Civil do Rio de Janeiro aprofunde o inquérito para identificar se existiam outros cúmplices ou se o falso médico contava com uma rede de captação de clientes pelas redes sociais ou por meio de indicações em farmácias e outros estabelecimentos. O crime de aborto no Brasil, salvo nos casos permitidos por lei (estupro, risco de vida para a mãe e anencefalia fetal), continua sendo objeto de punição severa tanto para quem pratica quanto para quem se submete, mas a atuação de falsos médicos adiciona uma camada de periculosidade que geralmente transita para o homicídio doloso ou culposo, dependendo da interpretação do Ministério Público sobre o risco assumido pelo autor ao operar sem preparo técnico.

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