Exame Nacional da Magistratura mobiliza mais de 30 mil candidatos neste domingo em todo o Brasil
Com mais de 31 mil inscritos em todo o país, a 5ª edição do exame nacional busca uniformizar o perfil dos novos juízes e promover diversidade no judiciário.

Mais de 31 mil candidatos participam da 5ª edição do Enam neste domingo em todas as capitais brasileiras. O exame, obrigatório para quem deseja ingressar na magistratura, busca uniformizar a seleção de juízes e valorizar o raciocínio jurídico em detrimento da memorização.
Neste domingo (7), as capitais de todo o Brasil recebem a 5ª edição do Exame Nacional da Magistratura (Enam), uma avaliação federalizada que se consolidou como um pré-requisito indispensável para quem almeja a carreira de juiz. Ao todo, 31.538 bacharéis em Direito tiveram suas inscrições homologadas para realizar a prova, que acontece simultaneamente em todas as unidades da federação. O estado de São Paulo concentra o maior contingente de candidatos, com 5.787 inscritos, seguido de perto pelo Rio de Janeiro, Minas Gerais e pelo Distrito Federal. A avaliação é organizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e representa um filtro de qualificação técnica antes que o candidato possa prestar os concursos específicos de cada tribunal.
A criação do Enam pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) marca uma mudança profunda no sistema de seleção para a magistratura brasileira. Historicamente, os concursos para juiz eram realizados de forma autônoma por cada tribunal, o que gerava uma disparidade significativa nos critérios de avaliação, nos conteúdos exigidos e no perfil dos aprovados entre diferentes estados. O objetivo central deste exame nacional é justamente uniformizar esse processo, estabelecendo um padrão mínimo de qualidade e vocação. Importante ressaltar que o Enam não oferece vagas imediatas ou nomeações; ele funciona como uma habilitação obrigatória: sem o certificado de aprovação nacional, o bacharel fica impedido de se inscrever nos editais para juiz estadual, federal, do trabalho ou militar.
O exame é composto por 80 questões de múltipla escolha que abrangem áreas fundamentais do Direito, como Constitucional, Administrativo, Civil, Penal, Empresarial, Processual Civil, além de blocos dedicados aos Direitos Humanos e à Formação Humanística. Este último ponto é considerado um dos pilares da nova visão do judiciário, buscando magistrados com compreensão sociológica e ética refinadas. Para ser considerado habilitado, o candidato da ampla concorrência precisa acertar no mínimo 70% da prova (56 questões). Já em conformidade com as políticas de ações afirmativas, o índice exigido para candidatos autodeclarados negros, indígenas, quilombolas ou pessoas com deficiência é de 50% (40 acertos). O certificado de aprovação tem validade de dois anos, permitindo uma única prorrogação por igual período.
Para o leitor brasileiro que acompanha as transformações no Poder Judiciário, o Enam representa um esforço de democratização e modernização do acesso às carreiras jurídicas de elite. O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e diretor-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), Benedito Gonçalves, destaca que o modelo da prova privilegia o raciocínio jurídico sobre a simples memorização de códigos. Segundo dados da organização, o perfil dos inscritos nesta edição reflete uma busca por maior diversidade: as mulheres representam 55,14% do total, e há uma participação expressiva de grupos historicamente sub-representados, incluindo mais de 5 mil candidatos negros e 1,7 mil pessoas com deficiência. O intuito é que o juiz do futuro seja alguém capaz de aplicar a lei com sensibilidade social e pragmatismo, fugindo do estereótipo do concurseiro "emocionalmente mecânico".
No dia da avaliação, os candidatos devem estar atentos ao rigoroso protocolo de horários. Os portões serão fechados pontualmente às 12h30, com as provas iniciando às 13h e encerrando às 18h, seguindo rigorosamente o horário de Brasília. A orientação é de chegada antecipada de pelo menos 90 minutos para evitar transtornos operacionais. É obrigatório o porte de documento oficial de identificação com foto e caneta esferográfica de cor preta ou azul. Após o encerramento desta quinta edição, o banco de dados de habilitados no Brasil deve superar a marca de 17 mil profissionais, fortalecendo a fila de espera qualificada para os próximos concursos abertos pelos tribunais em todo o território nacional. O sucesso do Enam é visto como um passo fundamental para reduzir a endogamia no sistema judiciário e garantir que a prestação de justiça seja conduzida por indivíduos de excelência técnica comprovada sob critérios nacionais.






