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EUA propõem tarifa de 25% sobre tilápia: o preço vai cair no Brasil?

Medida proposta pelo governo dos EUA pode entrar em vigor em julho; entenda os impactos para produtores e consumidores no Brasil.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 08:003 min
EUA propõem tarifa de 25% sobre tilápia: o preço vai cair no Brasil?
Foto: Reprodução
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O setor de piscicultura brasileiro enfrenta um novo desafio com a proposta dos EUA de tarifar a tilápia em 25%. Embora o peixe seja o principal item exportado, especialistas explicam por que a medida dificilmente reduzirá os preços para o consumidor final nos supermercados do Brasil.

A recente decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de propor uma tarifa de importação de 25% sobre diversos produtos brasileiros acendeu um alerta no setor aquícola nacional. A tilápia, principal produto da piscicultura brasileira e item de destaque na pauta de exportações de pescados, acabou ficando fora da lista de isenções fiscais concedidas a outros setores estratégicos, como o café e a carne bovina. A medida, que já foi detalhada em documento oficial, está prevista para entrar em vigor no dia 15 de julho, o que levanta questionamentos imediatos sobre como o mercado interno reagirá a um possível represamento da produção que deixará de ser enviada ao exterior.

O contexto desta tarifação agressiva remonta a uma investigação iniciada em meados de 2025, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos. Sob a gestão do presidente Donald Trump, Washington alega que certas políticas e práticas comerciais do governo brasileiro têm sido "irrazoáveis" e acabam por restringir ou sobrecarregar o comércio norte-americano. Essa retaliação econômica não é um evento isolado, mas sim o ápice de uma série de medidas protecionistas que já haviam incluído sobretaxas anteriores, algumas delas anuladas pela Suprema Corte dos EUA no início de 2026. Agora, com a nova alíquota de 25%, o cenário para os produtores brasileiros de tilápia torna-se consideravelmente mais desafiador, dada a extrema dependência que o setor possui do mercado consumidor estadunidense.

Para o consumidor brasileiro médio, a grande dúvida reside na possibilidade de o peixe ficar mais barato nas prateleiras dos supermercados locais. Teoricamente, se as exportações caem, a oferta interna aumenta, o que poderia derrubar os preços. No entanto, especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP) e líderes de associações como a PeixeBR jogam um balde de água fria nessa expectativa. Embora os Estados Unidos absorvam cerca de 90% das exportações de tilápia do Brasil, esse volume exportado representa apenas pouco mais de 2% da produção total brasileira. Como a grande massa da produção já é consumida internamente, o excedente que retornaria ao mercado doméstico não teria força estatística suficiente para provocar uma queda de preços generalizada em nível nacional, podendo causar apenas flutuações pontuais e regionais.

A vulnerabilidade da tilápia brasileira no mercado internacional também se explica pela forte concorrência. Diferente do que ocorre com a carne bovina brasileira, da qual os EUA têm alta dependência, o mercado americano de tilápia possui outros fornecedores robustos, como China, Colômbia e Indonésia. O Brasil ocupa atualmente a quarta posição nesse ranking de fornecedores para os EUA e foca majoritariamente no nicho de filés frescos, enquanto 80% da demanda americana é suprida por filés congelados. Essa dinâmica coloca o produtor brasileiro em uma posição de desvantagem nas negociações tarifárias, já que o governo americano não vê risco de desabastecimento interno ao taxar o produto brasileiro, optando por preservar setores onde a oferta nacional é indispensável.

No curto e médio prazo, o setor de piscicultura deve buscar alternativas para mitigar os prejuízos. No segundo semestre de 2025, o Brasil já registrou uma queda de mais de 43% nas vendas para os EUA devido a turbulências tarifárias prévias, o que forçou uma busca por mercados secundários, como o Canadá. Contudo, analistas de mercado ressaltam que a abertura de novas rotas comerciais é um processo burocrático e moroso, que exige certificações sanitárias e logísticas complexas. Enquanto isso, as indústrias nacionais, representadas pela Abipesca, mantêm a esperança de que o período de consulta pública possa sensibilizar as autoridades americanas a adotarem uma análise mais técnica do que política, visando excluir a tilápia da lista final de taxação antes de meados de julho.

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