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Estudo revela que predisposição genética ao câncer atinge 1 em cada 10 pacientes no Brasil

Mapeamento genômico realizado em cinco regiões do país mostra que 10% dos diagnósticos estão ligados a mutações hereditárias passadas entre gerações.

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Redação 360 Notícia
12 de maio de 2026 às 09:002 min
Estudo revela que predisposição genética ao câncer atinge 1 em cada 10 pacientes no Brasil
Foto: Reprodução
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O maior estudo genômico do Brasil revela que 1 em cada 10 pacientes com câncer possui mutações hereditárias, permitindo tratamentos personalizados e prevenção precoce em familiares.

Uma pesquisa inédita revelou o peso da genética no desenvolvimento de tumores no Brasil. O maior levantamento genômico já realizado no país, publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, apontou que 10% dos pacientes com câncer de mama, próstata ou intestino possuem mutações hereditárias. O estudo, que integra o Mapa Genoma Brasil sob coordenação da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, analisou 275 indivíduos atendidos pelo SUS em todas as regiões brasileiras.

A importância da descoberta reside na mudança imediata da abordagem médica. Identificar falhas em genes como o BRCA1 ou BRCA2 permite o uso de terapias direcionadas e inibidores específicos que seriam ignorados sem o mapeamento. Além disso, o estudo detectou que quase 40% dos familiares de pacientes com mutações também herdaram a alteração. Esse dado é vital para a medicina preventiva, pois permite que pessoas saudáveis iniciem protocolos de vigilância rigorosos, como ressonâncias anuais e cirurgias profiláticas, antes mesmo do surgimento de qualquer sintoma.

O mapeamento brasileiro também trouxe luz à diversidade genética local. Cerca de 59% dos participantes se identificaram como pardos, evidenciando a miscigenação do país. A pesquisa reafirmou a alta prevalência da mutação TP53 R337H no Brasil, variante associada a um risco de câncer superior a 90% ao longo da vida. Por ser originária de um ancestral comum de três séculos atrás, essa alteração é muito mais comum aqui do que em bancos de dados internacionais, majoritariamente compostos por genomas europeus.

Apesar do avanço científico, o acesso a esses testes ainda é um desafio estrutural no sistema público de saúde. Com menos de 500 geneticistas clínicos no país, o acompanhamento especializado está concentrado em grandes metrópoles. Especialistas sugerem que o Ministério da Saúde utilize o histórico familiar como triagem inicial nas unidades básicas, permitindo que o SUS possa, no futuro, incorporar o sequenciamento genético como ferramenta padrão de diagnóstico e prevenção nacional.

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